Nunes diz que Tarcísio contrariou pedido para manter delegado da cracolândia

*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP,  BRASIL -   06.09.2022  - Reabertura do Museu do Ipiranga no centenário da Independência do Brasil. o prefeito Ricardo Nunes durante o discurso do Ministro da Cultura (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL - 06.09.2022 - Reabertura do Museu do Ipiranga no centenário da Independência do Brasil. o prefeito Ricardo Nunes durante o discurso do Ministro da Cultura (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) contrariou seu pedido para manter o delegado Roberto Monteiro à frente da 1ª Delegacia Seccional do Centro, responsável pelas ações de combate ao tráfico de drogas na cracolândia.

Monteiro foi substituído pelo delegado Jair Ortiz Barbosa, até então, responsável pelo comando da Polícia Civil no Vale do Paraíba, no último sábado (7).

"Coloquei a necessidade de se manter o delegado [Monteiro]. Pedi a ele a questão de [manter] a continuidade [das operações policiais na cracolândia]", disse o prefeito em visita a equipamento para tratamento de dependentes químicos no centro nesta quarta-feira (11).

A declaração foi dada horas antes de uma operação da Polícia Militar que dispersou com bombas de gás lacrimogêneo usuários que estavam concentrados na rua Vitória, em Campos Elíseos. Até então as operações vinham sendo realizadas pela Polícia Cicil e a GCM (Guarda Civil Metropolitana).

Diante da mudança no comando da Seccional do Centro, o prefeito vai nomear Monteiro como assessor especial da Polícia Civil na prefeitura. A ideia é que ele continue a colaborar com o programa anticrack municipal, o Redenção, e atuar como autoridade policial em fatos relacionados à gestão. "Se tiver a oferta de drogas do jeito que tinha e a organização criminosa voltar a dominar o espaço, não tem como fazer as ações [de saúde e assistência social]", disse.

As conversas entre o prefeito e Tarcísio sobre manter o comando da Polícia Civil na região central se deram ainda durante o segundo turno, quando despontou a possibilidade de o ex-ministro ser eleito governador de São Paulo.

Segundo Nunes, Tarcísio teria se comprometido em manter o delegado, mas voltou atrás. O escolhido para o cargo é ex-chefe do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 1, baseado em São José dos Campos, onde o vice-governador, Felicio Ramuth (PSD) era prefeito até o ano passado.

Ramuth foi nomeado pelo governador como responsável pelo tema cracolândia em sua gestão. O vice tem se reunido com o prefeito para elaborar o plano de atuação na região conhecida pela aglomeração de usuários de drogas a ser divulgado no próximo dia 23.

O Palácio dos Bandeirantes procurado para comentar a declaração de Nunes, mas não respondeu até a publicação. O vice-governador foi procurado para comentar a mudança, mas também não se manifestou.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que as trocas de comando da Polícia Civil são baseadas em "critérios técnicos e promoções da instituição". Segundo a pasta, Barbosa é um estudioso sobre o tráfico de drogas.

Outros comandos da Polícia Civil foram trocados nestes primeiros dias do governo Tarcísio, como os das delegacias seccionais de Taboão da Serra, São José dos Campos, Taubaté e Jacareí.

Barbosa já teve reuniões com o secretário da Segurança Pública, Guilherme Muraro Derrite, e entre as primeiras ações para combater o tráfico de drogas na cracolândia, sugeriu a instalação de câmeras de segurança e iluminação.

Como a Folha de S.Paulo noticiou, a prioridade das gestões municipal e estadual será intensificar as internações. Para isso, será instalada uma unidade do Cratod (Centro de Referência de Álcool Tabaco e Outras Drogas) na cracolândia para agilizar os encaminhamentos para as unidades de saúde.

Em reação à mudança no comando das operações policiais na cracolândia, moradores do Campos Elíseos fizeram um abaixo-assinado contra a saída de Monteiro. O documento reuniu cerca de 5.000 assinaturas.

A operação Caronte foi deflagrada pela 1ª Delegacia Seccional do Centro em junho de 2021 para identificar e prender traficantes que atuam na cracolândia. Na ocasião, os usuários se concentravam no entorno da estação Júlio Prestes e, depois, passou a ocupar a praça Princesa Isabel.

Em meio do ano passado, uma operação policial desmobilizou a concentração de dependentes químicos da praça e a cracolândia passou a ocupar diferentes pontos no centro.