Nxivm: cofundadora de seita sexual que marcava mulheres a ferro é condenada nos EUA

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Nancy Salzman olha para o lado em ambiente externo, abraçada por uma pessoa
Nancy Salzman disse estar 'horrorizada e envergonhada' por ter apoiado líder da seita Nxivm

A cofundadora da seita Nxivm Nancy Salzman, de 66 anos, foi condenada nos Estados Unidos a mais de três anos de prisão por sua participação em cultos sexuais.

Ela já havia se confessado culpada de crimes de extorsão em 2019, admitindo ter roubado endereços de e-mail e senhas de críticos do Nxivm.

Agora, ela deverá se entregar para ser presa em janeiro de 2022 — a demora de alguns meses se deve à necessidade de recuperação de um procedimento médico não especificado.

Em outubro de 2020, o líder oa Nxivm, Keith Raniere, foi condenado a 120 anos de prisão pelos crimes de extorsão, tráfico sexual, pornografia infantil, entre outros.

O Nxivm (a pronúncia é nexium) foi fundado em 1998, tem sede em Albany, no Estado de Nova York, e se define como uma "comunidade guiada por princípios humanitários que busca empoderar as pessoas". O grupo diz ter trabalhado com 16 mil pessoas em centros nos Estados Unidos, Canadá e México. Há antigos membros conhecidos, como a atriz Allison Mack, que atuou na série Smallville.

Para investigadores, trata-se de uma operação de tráfico sexual disfarçada de grupo com princípios humanitários.

Para fora, o Nxivm parecia oferecer programas inofensivos de autoajuda, mas no núcleo do grupo Raniere exercia níveis extremos de controle, culminando em abuso sexual, violência e até a marcação a ferro de suas iniciais nos corpos de mulheres.

Nesta quarta-feira (8/9), Salzman afirmou em um tribunal federal no Brooklyn que estava "horrorizada e envergonhada" por ter apoiado Raniere.

Os advogados da mulher dizem que ela agora reconhece "todo o peso de seus erros enquanto serviu como colaboradora e facilitadora de Keith Raniere" no culto.

O juiz federal Nicholas Garaufis, por sua vez, afirmou que ela gerou "trauma e destruição" às vítimas do Nxivm.

Mulher caminha ao lado de homem de terno em área externa de prédio, ambos de máscara
Filha de Nancy, Lauren (foto) também era parte do núcleo da seita e colaborou com promotores

Em um documento anexado ao processo em agosto, a procuradora-assistente Tanya Hajjar disse que Salzman "menosprezou e humilhou as mulheres e culpou as vítimas de abuso".

"Você nunca refutou [Raniere]. A porta estava sempre aberta, mas você nunca saiu", afirmou o juiz, segundo o jornal New York Daily News.

Salzman também admitiu ter adulterado vídeos que seriam usados em um processo contra o "desprogramador" de cultos Rick Alan Ross.

Antes do veredito, o tribunal ouviu depoimentos em áudio e vídeo de vários ex-membros do Nxivm que detalharam o papel de Salzman na organização.

A filha de Nancy Salzman, Lauren, também era parte do alto escalão do Nxivm. Ela podia ter sido condenada a até sete anos de prisão, mas em julho recebeu cinco anos de liberdade condicional depois de ajudar os promotores a derrubar Raniere.

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