O alerta da Holanda contra os 'caçadores de pedófilos'

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Imagem de arquivo de um protesto em setembro em Haia, na Holanda, contra a legalização de um partido que defende o sexo legal com crianças menores de 12 anos
Polícia pede que justiceiros parem de agir

A polícia da Holanda pediu o fim da "caça aos pedófilos" no país em meio a uma onda de justiçamento que resultou, mais recentemente, na morte de um professor aposentado de 73 anos, espancado por um grupo de adolescentes.

O delegado Oscar Dros disse que há risco de mais mortes e pediu que as pessoas deixem a justiça para as autoridades.

O homem de 73 anos foi atraído para um encontro por meio de um bate-papo gay para ter contato sexual com um menor de idade.

As autoridades disseram que o professor aposentado estava ciente de que o menino era menor, mas não havia evidências de que ele tivesse tido contatos sexuais anteriores com outros menores.

O ataque na cidade de Arnhem é o mais recente de uma série de 250 incidentes cometidos pelos chamados "caçadores de pedófilos" na Holanda.

O que aconteceu em Arnhem?

Segundo a imprensa holandesa, o grupo de adolescentes teve a ideia de caçar um pedófilo depois de ler histórias semelhantes em outras partes da Holanda.

O ex-professor chegou ao local combinado para o encontro no dia 28 de outubro e foi seguido quando retornou à sua casa. Ele foi espancado por um grupo de meninos e mais tarde morreu no hospital.

O prefeito, Ahmed Marcouch, descreveu o crime como "horrível" com um impacto "tremendo" na comunidade. Dezenas de vizinhos, amigos e ex-alunos participaram de uma cerimônia em homenagem à vítima na semana passada.

Jamil Roethof, advogado de um menino de 15 anos implicado no ataque, disse ao site de notícias local De Gelderlander que a ideia de caçar pedófilos veio do "tédio do coronavírus". O jovem não fez parte do ataque.

Vigília para professor assassinado
No último fim de semana, foi realizada uma cerimônia de homenagem ao professor assassinado

Roethof disse que os adolescentes só queriam repreender o homem e não tinham a ideia premeditada de atacá-lo. Ele sugeriu que o ex-professor havia morrido de uma queda.

Sete jovens foram presos, seis deles com menos de 18 anos.

O que a polícia diz?

O chefe da polícia regional Oscar Dros apelou aos cidadãos para "parar a caça aos pedófilos, prisões e provocações." "Deixe isso em nossas mãos", pediu.

Dros disse ao jornal Algemeen Dagblad que houve cerca de 250 incidentes envolvendo esses "caçadores" desde julho, mas provavelmente há muitos mais. A prática foi proibida pela polícia e pelo Ministério Público.

Existem casos de pessoas que foram retiradas das estradas, que foram agredidas, ameaçadas e publicamente envergonhadas na internet.

Grupos do Facebook surgiram em todo o país e alguns atraíram milhares de membros.

Um desses membros disse ao canal de notícias público NOS: "Estamos a fazendo isso para proteger as crianças."

Minutos depois de entrar em um bate-papo, disse ele, "cinco ou seis homens tentam conhecê-lo sabendo perfeitamente que você é um menor". "Isso não está certo", ressaltou.

A polícia holandesa disse que esse comportamento de vigilância "não tem efeito porque muitas vezes as provas que esses cidadãos obtêm são nulas".

E acrescentou que não conhece nenhum caso que tenha levado a uma denúncia de pedófilo.

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