O Arremesso Final é o melhor entretenimento da pandemia, seja você fã de esporte ou não

Foto: Divulgação / Netflix

Por Thiago Romariz* — Se antes da pandemia víamos que a internet era tomada por discussões sobre filmes e séries lançados em streaming, durante a crise o entretenimento se baseou só nisso - e no BBB, claro. Neste mar de opções, pouca coisa se torna um destaque.

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Resgate foi um deles, O Poço foi outro, o lançamento de O Homem Invisível também pode ser colocado na lista. Nenhum deles, porém, chega à excelência alcançada por O Arremesso Final, série da ESPN distribuída pela Netflix, que conta a história dos últimos anos da carreira de Michael Jordan. E por incrível que pareça, pouco tem a ver com o talento dele.

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O equilíbrio perfeito da narrativa é o diferencial. O tanto que a série tem de documental ela tem de ficcional. E não é por se tratar de um viés das coisas, mas sim por tratar acontecimentos como contos dentro da história maior.

Não é raro Jordan ser colocado como um herói, e em seguida ser questionado; os vilões são essenciais para o sucesso do time; e os mensageiros das missões chegam na forma de pais, treinadores e mortes. Essa mistura é possível pelo roteiro calcado em entrevistas com opiniões opostas, e sempre baseado nas idas e vindas de um jogo de basquete, que não se mostra decidido até o último arremesso.

É lógico que MJ é enaltecido em todos os episódios e se torna o centro das atenções, mas (de novo) como no basquete, são seus coadjuvantes que o fazem brilhar ainda mais. Aqui os coadjuvantes vão além dos parceiros de quadra. A começar pela diretoria, dividida entre o lado bom (Jerry Reinsdor) e o lado ruim (Jerry Krause), que se misturam entre o amor pelo esporte e o apreço pelo negócio.

E por mais que a vilania esteja nos ombros de Krause - um pária evidente de Jordan - o roteiro deixa claro que a mente dele foi essencial para o sucesso do time, e do jogador. Mais do que isso: essa 'área cinza' pela qual Krause e Reinsdor passeiam (junto com jornalistas e outros jogadores), torna o programa um reality show com toques dramáticos dignos de um BBB. Tudo potencializado pelas imagens de bastidores que escancaram a humanidade de pessoas moldadas pela mídia por décadas.

E ainda que pareça complexa, essa mistura é orquestrada de forma perfeita pelas viagens no tempo sugeridas pelo roteiro. Ao invés de usar flashbacks ou entrevistas curtas para justificar atitudes, a série faz questão de contextualizar cada passo do Bulls com profundas opiniões sobre elas.

O confronto que Arremesso Final faz entre o Jordan, o Pippen e o Rodman do passado com os 'eles' do futuro é o ingrediente que humaniza e ao mesmo tempo torna alguns deles inatingíveis quando se trata do esporte em si.

O nome do documentário em inglês, A Última Dança, é perfeito por retratar não só o balé que o Bulls apresentou ao mundo, mas também pela dramaticidade que envolve cada um dos atos e passos mostrados.

Ao não entrar nos pormenores do esporte, e se tratar mais como uma história do que como um documento, a série faz de cada um de seus personagens um elemento essencial no espetáculo artístico que foi a carreira de Jordan, dentro e fora da quadra. E no fundo, essa é a essência de um bom entretenimento, aplicada em todos os episódios de O Arremesso Final.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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