O Atlético de Madrid já deixou Rául - e Ronaldo Fenômeno - escaparem: foi assim que aconteceu

Já imaginou Raúl vestindo a camisa do Atlético de Madrid? E ver Ronaldo Fenômeno no comando do ataque colchonero para fazer frente ao maior rival da capital espanhola? Isso poderia ter acontecido.

Rubén Cano, ex-atacante argentino que se destacou pelo Atleti entre 1976 e 1982 e depois foi secretário técnico do clube, contou como os dois artilheiros acabaram escapando.

Quem conhece a história de Raúl sabe que ele passou pelo Atlético na juventude, mas que foi parar nos merengues depois que as categorias de base do Atlético foram encerradas. Cano, porém, diz que não foi bem assim.

"Raúl era um fora de série na base. Chamava ele de Maradoninha. Ele me deslumbrava. Um domingo eu convidei o pai dele. Combinamos de renovar o contrato em uma semana, mas ele não veio. O Madrid sempre foi de pegar jogadores, seja com dinheiro ou qualquer outra coisa", afirmou o ex-jogador, em entrevista ao programa Maneras de Vivir.

"Aí me disseram que ele assinou com o Real Madrid, um ano antes de Jesús Gil (ex-presidente do Atlético) encerrar as divisões inferiores, e aquilo me pareceu uma loucura. As pessoas falam que ele saiu porque fecharam as categorias inferiores, mas ele saiu antes disso", completou.

Fato é que Raúl chegou ao Real em 1992, estreou profissionalmente em 1994 e conquistou dezenas de títulos até se despedir do Santiago Bernabéu em 2010.

"Trem" Valencia no lugar de Ronaldo

Depois de perder Raúl, o Atlético poderia ter contado com outro craque: Ronaldo Fenômeno. Segundo Rubén Cano, a contratação daquele jovem que à época brilhava pelo Cruzeiro esteve perto de acontecer. Só que o brasileiro foi parar no PSV, da Holanda, e os espanhóis contrataram Adolfo Valencia, atacante colombiano conhecido como "El Tren" por causa da força física - e que não fez sucesso no clube.

"(Ronaldo) Estava comprado. Eu saí do clube e me tornei um intermediário, pois tinha muitas relações e contatos, especialmente na América do Sul. Vi um garoto de 16 anos no Brasil, o Ronaldo. Falei: 'esse aqui sai' e disse a meu sócio que fosse a Belo Horizonte comprá-lo", contou o ex-jogador.

"Disse a Miguel Ángel (Gil, filho do presidente do Atlético), ele foi conosco e o PSV também estava ali. Ofereceram 600 milhões de pesetas. Na Argentina, havia a opção de comprar metade dos direitos e ofereci ao Cruzeiro, com aprovação de Jesús Gil, 400 milhões por 50% do passe. Eles aceitaram", continuou.

"Liguei para Jesús e ele disse que sim. Mas Miguel Ángel disse que não, que não tinha isso de 50%. O jogador poderia estar a vida toda no Atlético, os direitos federativos eram do Atlético e na hora de ceder seu passe para outra equipe o Cruzeiro pediria sua parte, nada mais que isso. Mas Miguel Ángel Gil disse não e acabou chegando El Tren Valencia", concluiu Cano.

Ironicamente, Ronaldo iria a Madri alguns anos depois, mas, a exemplo de Raúl, para vestir a camisa do arquirrival Real.