O bolsonarismo sai vitorioso quando falamos nele

Bolsonarismo cresceu e atingiu seu ápice com a eleição do presidente em 2018 (AP Photo/Eraldo Peres)
Bolsonarismo cresceu e atingiu seu ápice com a eleição do presidente em 2018 (AP Photo/Eraldo Peres)

O grande mérito do bolsonarismo foi que ele conseguiu aglutinar conservadorismos que estavam perdidos por aí: militarismo, discurso autoritário e reação à pautas identitárias são exemplos de temas que encontraram no Messias, o Salvador. Se o lulismo tem uma base social e partidária forte o bolsonarismo tem uma pauta de costumes muito firme em torno de si.

O TSE começou os testes de confirmação das urnas nesta semana. TSE que respondeu aos questionamentos das Forças Armadas que suspeitavam de um “golpe” nas eleições.

O bolsonarismo consegue recriar uma realidade associada desde sempre a um Brasil profundo. O brasileiro sempre foi ligado às vacinas, tem nas urnas eletrônicas seu exemplo de bom funcionamento das eleições e seus filhos sempre mereceram ir para a universidade porque assim seriam bem-sucedidos. Bolsonaro consegue questionar tudo isso sendo legitimado por uma parcela da população que acredita que as instituições estão falidas e que o sistema não funciona.

O presidente conseguiu pautar a volta do voto impresso com sucesso. Fez os brasileiros questionarem a vacina, tema ligado a esse Brasil profundo, mas teve que recuar ainda assim saindo vitorioso no discurso.

O bolsonarismo sai maior desde que o debate público gire em torno dele. Ele consegue inserir nas pessoas efeitos que fazem parte do seu ponto de vista. O que estamos vendo é um grande, senão um dos maiores movimentos identitários da história política brasileira. Bolsonaro oferece significado a uma parcela da população que vê na esquerda e na discussão de pautas progressistas algo muito descolado de quem sofre com violência urbana e que vê na Igreja e na base familiar um afago à uma sociedade tão desvirtuada. “Deus, pátria e família”.

O sentimento de que as elites políticas são incapazes de gerar mudanças foi crescendo e a desconfiança em relação ao sistema político acentuou-se. Hoje, parece que projetamos os medos para o futuro e falamos com saudade do passado. E, Bolsonaro entendeu como ninguém esse movimento.

O golpe é retórico. Se Lula busca desidratar a imprensa corroendo o processo por dentro até amortecer as pessoas, Bolsonaro insere nelas seu pensamento de forma simplificada. “Bandido bom é bandido morto”.

O perigo nos ronda. De um lado o medo da corrupção, do cerceamento da imprensa. De outro, os arroubos histéricos de um presidente que visa a manutenção do poder sem medo de verbalizar a violência. Pobre de nós, que precisamos de salvadores da pátria.

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