'O calor humano não tem substituição', afirma Bárbara Paz, que estreia o curta 'Ato' no Festival de Veneza

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O curta-metragem de ficção “Ato”, da cineasta Bárbara Paz, marcou presença na mostra Orizzonti Short Films, do 78º Festival de Veneza, nesta sexta-feira (10). O filme, estrelado por Alessandra Maestrini e Eduardo Moreira, traz um ensaio sobre a morte, a dor da solidão e o teatro.

— 'Ato' é um grito dos artistas sem plateia e, ao mesmo tempo, é o medo constante da morte. Eu estou na investigação da solidão há muito tempo. Na pandemia, eu senti que o momento era ideal pro projeto porque toda a humanidade estava suspensa no tempo, solitária— descreve Bárbara Paz — Eu passei por um processo de transformação, de urgência de viver porque a vida é o instante. Criei desesperadamente tudo que eu via e sentia.

Com roteiro de Cao Guimarães (“O homem das Multidões”), o curta acompanha o viúvo Dante, que contrata Ava para suprir sua necessidade de afeto. A diretora revela que "Ato" é o prelúdio de um projeto de longa-metragem que pretende conduzir no futuro.

— Nós achamos que estamos cercados de pessoas, mas estamos na frente de máquinas. O trabalho que eu tenho feito é trazer o ser humano de volta. O afeto físico, o calor humano, não tem substituição— divide a diretora que, em 2019, conquistou em Veneza o Leão de Melhor Documentário com "Babenco: Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou". O filme retrata os últimos momentos do diretor e seu marido Héctor Babenco, que morreu de câncer em 2016.

“Ato” é a primeira obra ficcional de Bárbara. Ela explica que tentou tirar as palavras do roteiro e experimentar no audiovisual a linguagem do teatro em movimento.

— É autoral, estou na busca de quem eu sou, como um pintor buscando suas tintas— conta — Eu não vejo a vida sem a criação. Um país sem cultura não tem alma. A arte me salvou, meu curou. A vida já é tão difícil, então precisamos achar o lado belo. O artista tem essa necessidade de transformar.

Na abertura do Festival, Bárbara Paz aproveitou sua passagem pelo tapete vermelho para fazer um manifesto a favor da Amazônia. A atriz "se vestiu" com a floresta e roubou a cena diante dos fotógrafos.

— Eu não imaginava, mas essa imagem repercutiu no mundo todo porque não é só o Brasil que está preocupado com a Amazônia. Temos obrigação de fazer algo. Esse manifesto fala de tudo que estamos passando no país: o ódio à cultura, o flerte com o nazismo. É assustador, mas os artistas não vão parar — defende Bárbara.

Setembro Amarelo

Como atriz, Bárbara Paz também pode ser vista nas telonas com o filme “Por que Você não Chora?”, que estreou nesta quinta-feira (9) nos cinemas nos cinemas e nas plataformas de streaming com distribuição da O2 Play. Em pleno Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio — parte do Setembro Amarelo— , o longa da cineasta e psicóloga Cibele Amaral levanta debates urgentes sobre saúde mental, depressão e suicídio.

A obra densa acompanha a relação conturbada entre a estudante de psicologia e estagiária Jéssica (Carolina Monte Rosa), menina de origem humilde que migrou do interior para Brasília, e a paciente Bárbara (Bárbara Paz), diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline - condição que gera instabilidade e hipersensibilidade.

— Às vezes você acha que a outra pessoa é o problema. O espelho está na sua frente, mas você não tá vendo. O filme fala sobre como o tratamento é importante. Além disso, é fundamental que a família e os amigos estejam atentos e prontos para darem afeto e apoio— destaca Bárbara.

O filme, que conta com grandes nomes como Maria Paula Fidalgo, Elisa Lucinda e Cristiana Oliveira, chegou a abrir o 48º Festival de Gramado, no ano passado.

Bárbara não para

— Eu sou aquela pessoa que tem um bilhão de projetos, mas não sei qual vai sair primeiro— brinca a multiartista com uma energia impressionante — Eu percebi, principalmente durante a pandemia, o quanto eu criei. Tá no meu sangue, faz parte do meu dia a dia, eu preciso estar em ebulição. No momento em que você aceita isso, as coisas fluem. Minha vida e meu trabalho são uma coisa só.

Bárbara conta que quer transitar por todos os espaços, especialmente pela direção e produção. Ela está trabalhando no desenvolvimento do longa "Silêncio", com roteiro de Antonia Pellegrino, que acompanha uma bailarina que perde a audição.

— É um projeto lindo e sensorial —, adianta a artista, que também foi convidada para adaptar o clássico da literatura "Crônica da Casa Assassinada", de Lúcio Cardoso. A proposta conta com texto de Maria Camargo e produção de Vania Catani.

Para completar, Bárbara está no elenco de peso da novela de época da TV Globo "Além da Ilusão" (de Alessandra Poggi), ambientada durante a Segunda Guerra Mundial. A estreia deve acontecer no primeiro semestre de 2022.

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