'O capítulo mais importante vem agora, a vacinação em massa', diz Guedes sobre combate à pandemia

Marcello Corrêa e Manoel Ventura
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BRASÍLIA — O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira que a vacinação em massa da população contra a Covid-19 é o próximo capítulo das medidas de combate à pandemia. Guedes defendeu a liberação de R$ 20 bilhões para distribuição do imunizante, mas, alinhado com o presidente Jair Bolsonaro, defendeu que sua aplicação seja opcional.

— O capítulo mais importante vem agora, que é a vacinação em massa. São mais R$ 20 bilhões para a vacinação em massa dos brasileiros — disse o ministro, durante coletiva de imprensa na qual fez um balanço do ano.

Guedes acrescentou que a vacinação é importante para garantir o retorno ao trabalho, importante para sustentar a retomada econômica.

— O retorno seguro ao trabalho exige a vacinação em massa da população brasileira. É uma vacinação voluntária e o que o governo tem que fazer é disponibilizar todas as vacinas para a população de forma voluntária e gratuita.

Ele continuou:

— Qualquer brasileiro pode escolher a vacina que ele quer tomar, não paga pela vacina e escolhe a vacina se quiser tomar. Essa vacinação gratuita de forma voluntária para os brasileiros é o que nós precisamos para que a asa da saúde bata ao mesmo tempo que a asa da recuperação econômica — disse Guedes.

Os casos de Covid vêm aumentando no Brasil. Nesta quinta-feira, foram registradas mais de mil mortes, algo que não acontecia desde setembro.

Indagado por jornalistas se o Brasil está numa segunda onda, Guedes disse que é um número "assustador".

Guedes não é o único da equipe econômica que vem relacionando o ritmo da retomada da economia à vacinação. Nesta semana, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, chegou a dizer que investir em vacina sai mais barato que uma possível prorrogação dos auxílios governamentais.

Segundo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a previsão da pasta é distribuir as vacinas em meados de janeiro. Mas esse processo de distribuição enfrenta resistência dentro do governo, encabeçada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. Ele já afirmou que não vai tomar a vacina.

Na última quarta-feira, o governo incluiu oficialmente a CoronaVac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, no plano de vacinação da Covid.

O imunizante foi motivo do acirramento da disputa política entre Bolsonaro e o governador João Doria, de São Paulo, que anunciou o início da vacinação no estado antes do anúncio do governo federal.

Bolsonaro chegou a desautorizar Pazuello após o ministro firmar um termo de intenção para comprar 46 milhões de doses da CoronaVac. Quando o imunizante teve as pesquisas paralisadas pela Anvisa, o presidente comemorou. Depois, adotou o discurso de que priorizará qualquer vacina que tenha registro da Anvisa, o orgão de regulação sanitárias brasileiro.

O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta-feira, a Corte determinou que a obrigatoriedade da vacinação deve ser imposta por meio indireto — ou seja, quem não tomar a vacina pode ser impedido de frequentar determinados lugares, como escolas e transporte público.