O cerco russo a Mariupol pelo olhar de uma criança de oito anos num diário da guerra

Os horrores vividos pelas vítimas da trágica invasão russa em Mariupol, no sul da Ucrânia, têm sido documentados de várias formas, incluindo agora um caderno de escola, onde Yegor Kravtsov, de apenas oito anos, escreveu e desenhou um diário da guerra

Yegor descreveu a experiência vivida no período em que as forças ucranianas tentavam resistir à ofensiva do Kremlin, que viria a conseguir capturar a cidade, agora controlada pelas forças separatistas pró-russas.

O pequeno "repórter" conseguiu fugir de Mariupol com a mãe e a irmã. Estão em Zaporíjia, onde o diário de Yegor foi agora revelado e é visto como um precioso, ainda que doloroso, olhar ao que era a vida sob cerco das forças russas.

Tenho um ferimento nas minhas costas. A pele foi arrancada. A minha irmã partiu a cabeça. A minha mãe rasgou os tendões da mão e tem um buraco na perna.

Agora, a família está num local relativamente seguro, mas o rapaz sente muito a falta do avô, de Mariupol, em especial do teatro onde gostava muito de ir e que foi abrigo de civis até ser destruído pelas bombas russas logo no início da ofensiva contra esta cidade ucraniana nas margens do Mar de Azov.

A mãe, Olena Kravtsova, de 38 anos, mostrou o diário do filho a um jornalista assim como alguns vídeos que registou com o telefone ainda em Mariupol.

"Ele adora desenhar. Costumava desenhar com caneta num papel. Nunca gostou de lápis de cor nem de marcadores. Desenhava lojas e jogos com a caneta. Era a cena dele", diz-nos a mãe, mostrando-nos as referências de Yegor no diário a duas antigas vizinhas em Mariupol.

"Nadya e a Galya estão enterradas. Eram irmãs e morreram uma a seguir à outra. Foi a última coisa que desenhou", acrescenta.

Antes da fuga de Mariupol, Olena registou um vídeo das ruínas em que ficou a casa onde viviam, para mais tarde recordar, como a própria refere.

Era uma bonita casa com jardim, mas os invasores destruíram-na. Pouco restou. E agora que os russos ocuparam Mariupol não podem regressar para reconstruir a casa onde sonham viver, em paz, na Ucrânia, junto ao Mar de Azov.

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