O ciclo vicioso da "Grande Resignação" americana

·3 min de leitura
  • Com o aumento do trabalho devido as demissões, os funcionários que ficam passaram a se perguntar se vale a pena continuar na empresa

  • Mais da metade dos trabalhadores americanos teve colegas de trabalho que se demitiram

  • Cerca de 42% pensam em deixar seu trabalho atual

A saída de tantos colegas de trabalho está deixando os funcionários que permaneceram com dificuldades para lidar com o trabalho extra, e se perguntando se estão ganhando o suficiente por tanto esforço. Como resultado, muitos dos funcionários restantes também estão saindo.

“Tornou-se uma espécie de ciclo vicioso”, diz Johnny Taylor, CEO da Society for Human Resource Management (SHRM).

Ruchi Rajput, de Algonquin, Illinois, trabalhava na aquisição de talentos para o departamento de recursos humanos de uma empresa. Mas depois que vários colegas de trabalho saíram, ela teve de ajudar com a integração dos funcionários, fazer orçamentos e com a divulgação da marca da empresa.

Rajput diz que estava trabalhando, em média, uma hora extra por dia, e regularmente recebia ligações de supervisores após o expediente que às vezes durava de 20 a 30 minutos.

“Estava ficando exagerado”, diz Rajput, 36. “Eu estava trabalhando horas extras e meus esforços não eram notados”. Ela também teve de participar de reuniões que muitas vezes a impediam de trabalhar no recrutamento. “Estava completamente lotado”, diz ela. Algumas semanas atrás, ela pediu demissão e rapidamente encontrou um novo emprego em sua área.

Ela não está sozinha, pesquisas recentes apontam as consequências da chamada "Grande Resignação".

Leia também:

Cerca de 55% dos trabalhadores americanos dizem que um ou mais colegas saíram nos últimos seis meses, de acordo com uma pesquisa da SHRM. 52% desse grupo dizem que, como resultado, estão sobrecarregados com mais trabalho e 30% dizem que estão com muitas dificuldades para fazê-lo.

Isso os está fazendo reconsiderar suas opções, diz SHRM. 53% se perguntam se existem melhores oportunidades de emprego lá fora; 55% questionam se estão ganhando o suficiente; 28% estão se sentindo mais solitários e isolados, e 42% já pensaram em deixar o emprego com mais frequência do que antes de seus colegas de trabalho.

Uma pesquisa separada com cerca de 1.000 funcionários no mês passado pela credora Clarify Capital descobriu que 80% tiveram que trabalhar horas extras devido à falta de pessoal, colocando em média sete horas adicionais por semana. Isso levou mais da metade a pensar em desistir. Empregados em pequenas empresas, que têm menos funcionários, foram atingidos ainda mais, com 63% pensando em se demitir.

Em muitos casos, os funcionários saem rapidamente porque seus novos empregadores estão com falta de mão de obra e precisam de seus serviços imediatamente. Mas isso dá à empresa antiga pouco tempo para descobrir como realocar as funções do funcionário.

A Neema Hospitality, dona de 12 hotéis na região do Meio-Atlântico dos EUA, estava perdendo em média cerca de um funcionário por mês em cada uma de suas propriedades, disse o presidente da empresa, Sandeep Thakrar. Enquanto os recepcionistas e camareiras são pagos pelo menos para fazer horas extras, os gerentes não, diz ele.

Recentemente, uma gerente de um hotel em West Virginia pediu demissão para trabalhar na administração escolar depois de ser forçada a preencher a recepção ou limpar quartos nos fins de semana.

“Meu maior medo é que as pessoas vão embora”, diz ele. “Os gerentes precisam trabalhar mais, ficam exaustos e pedem demissão”.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos