O Cristo Redentor, de olho no centenário, está mais sustentável, tecnológico e solidário

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O Cristo Redentor que ruma aos cem anos é sustentável, tecnológico, focado na agenda social e... vacinado. O pontapé da imunização contra a Covid-19 foi lá, em janeiro, elevando a estátua ao papel de mensageiro da esperança durante a pandemia. Para se ter uma ideia, desde que a cidade parou para evitar a proliferação do vírus, foram doadas 500 toneladas de alimentos. Após as iniciativas emergenciais para minimizar a crise entre os mais pobres, o Santuário Cristo Redentor quer agora se voltar para um trabalho de geração de emprego e renda dentro de suas obras sociais.

O pensamento é totalmente alinhado ao da Papa Francisco, que defende "uma economia socialmente justa, economicamente viável, ambientalmente sustentável e eticamente responsável". Neste dia 12, será divulgada uma mensagem do papa (conhecida como indulgência) em que celebra a data. O texto será exposto na capela do Cristo.

— Agora é a vez do Cristo que desce a montanha para fazer o bem — prega padre Omar Raposo, reitor do Santuário Cristo Redentor. — A pandemia nos obrigou a admitir a prática assistencialista. A emergência era comida. Agora, vamos migrar para o empreendedorismo, investir em capacitação, emprego e renda. Fechamos, assim, um ciclo, e não vão faltar parceiros.

Para ajudar nas obras sociais, foi lançado o Fundo de Investimento do Cristo Redentor, com registro na Comissão de Valores Imobiliários (CVM), que já conta com cerca de R$ 30 milhões e 26 cotistas. Da taxa de administração de gestores e administradores, 80% serão destinados às obras sociais do Santuário.

— Quero também fazer a criptomoeda do Cristo. Deus inspira — afirma padre Omar, uma máquina de ideias, com olhar voltado para o futuro. — Nos antecipamos à Agenda 2030. Nosso eixo norteador é a sustentabilidade, e o Cristo Redentor vai exercer esse protagonismo.

A Agenda 2030, tema dos 90 anos do monumento, é um plano de ação firmado pelos Estados-membros da ONU em 2015 e que conta com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, entre eles a erradicação da pobreza, a igualdade de gênero e o consumo e a produção responsáveis. Todas essas metas, que devem ser alcançados até o ano de 2030, estão inscritas em letras garrafais no QG do Santuário Cristo Redentor, localizado no Jardim Botânico.

A ironia é que, no topo da maior floresta urbana do mundo, o Cristo enfrenta "uma briga de vizinhos", como define padre Omar. E a batalha com o ICMBio já extrapola os tribunais, onde está em jogo o comando do comércio aos pés da estátua. No dia 11 de setembro deste ano, o reitor do Santuário foi barrado por funcionários da autarquia federal enquanto se encaminhava para a celebração de um batizado.

— O Estado é laico, mas pode ganhar dinheiro em cima do Cristo — aponta o padre, ressaltando que a Igreja não cobra bilheteria para turistas e fiéis visitarem o Cristo Redentor. — Eu quero a união. O ICMBio tem o dinheiro e obrigações de estado. Mas não se integra com a gente. Nós do santuário poderíamos agora estar ajudando a floresta, como contribuindo na recuperação do Rio Carioca. Não é o Cristo que precisa do turismo. Mas o turismo da cidade que precisa do Cristo. Será que o vistiante vem ao Parque da Tijuca para conhecer o monumento ou o Parque da Tijuca? — questiona o padre.

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente informou que, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, o ministro Joaquim Leite formalizará nos próximos diss um acordo de convivência com a Arquidiocese do Rio de Janeiro. O objetivo seria resolver ‘’um problema que se arrasta há quase um século: o direito de uso e acesso ao Cristo Redentor, construído dentro do Parque Nacional da Tijuca – unidade de conservação federal do ICMBio’’, diz a nota. ‘’A medida, que será por tempo indeterminado, dará mais liberdade e segurança jurídica aos católicos que acessam o Santuário’, diz outro trecho.

Ciente também das necessidades do mundo atual, padre Omar vem em outra frente tomando medidas com base em novas tecnologias para tornar o Cristo Redentor, incluindo sua gestão, ainda mais protegido. Na administração dos recursos é utilizada hoje a ferramenta de compliance, e o monumento acaba de ganhar um setor chamado de segurança orgânica, que tem entre outras funções evitar ataques cibernéticos ao sistema de iluminação. Na prática, essa área funciona como um serviço de inteligência e contrainteligência.

E os projetos para o Cristo 3.0 não param aí. Assim que passados os festejos dos 90 anos, a equipe do Santuário se voltará para conseguir requalificar a capela com mosaicos encomendados à equipe de artistas que trabalha no Museu do Vaticano. A ideia até agora é que sejam estampadas na pequena capela de Nossa Senhora Aparecida imagens de santos. Os três primeiros escolhidos são: José de Anchieta , Santa Terezinha do Menino Jesus e o papa João Paulo II. Único papa a visitar o Cristo, João Paulo foi canonizado em 2014.A quarta imagem não deve ser de uma santa, mas da Princesa Isabel, remetendo à história do monumento.

A construção dos Museu do Cristo - nos andares superiores do Centro de Visitantes (segundo e terceiro andares) que funciona no antigo Hotel Paineiras - e da Via Sacra nas trilhas da Floresta da Tijuca também estão na lista para o centenário. Novamente, esses projetos dependerão de acordos com a União. Para compor o acervo do museu, a Arquidocese do Rio está solicitando aos fiéis que enviem documentos e fotos.

Em andamento, há estratégias para tornar o Cristo, que tem o título de uma das sete maravilhas do do mundo moderno, ainda mais conhecida mundialmente: a política de internacionalização do Santuário já ocorre através de de convênios e geminações com Cristos espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

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