O Datafolha não disse a 4 dias do 1º turno em 2018 que Bolsonaro teria 28% dos votos

Jair Bolsonaro, após votar nas eleições gerais de 2018, no Rio de Janeiro, em 7 de outubro de 2018 (Foto: Associated Press / Silvia Izquierdo)
Jair Bolsonaro, após votar nas eleições gerais de 2018, no Rio de Janeiro, em 7 de outubro de 2018 (Foto: Associated Press / Silvia Izquierdo)
  • Publicações nas redes sociais questionam as pesquisas eleitorais a partir do resultado de uma pesquisa do Datafolha de 2018

  • Segundo os conteúdos, o resultado de um levantamento divulgado pelo instituto quatro dias antes do primeiro turno teria sido muito diferente do cenário real

  • A pesquisa viralizada, contudo, não foi divulgada quatro dias antes, mas nove e resultados posteriores evidenciaram o crescimento de Bolsonaro

Publicações nas redes sociais questionam a confiabilidade de pesquisas eleitorais a partir de uma pesquisa realizada pelo Datafolha em 2018. Segundo usuários, o instituto teria divulgado quatro dias antes do primeiro turno que Jair Bolsonaro (atualmente no PL, mas à época filiado ao PSL) ganharia o primeiro turno com 28% dos votos.

Contudo, o resultado em questão foi publicado nove dias antes do pleito e pesquisas posteriores captaram o crescimento do candidato. Às vésperas das eleições, o Datafolha mostrou Bolsonaro com 40% dos votos válidos.

Captura de tela de uma publicação no alegando que em 2018, quatro dias antes do primeiro turno, o Datafolha divulgou que Bolsonaro perderia com 28% (Foto: Twitter / Reprodução)
Captura de tela de uma publicação no alegando que em 2018, quatro dias antes do primeiro turno, o Datafolha divulgou que Bolsonaro perderia com 28% (Foto: Twitter / Reprodução)

O resultado da pesquisa viralizada foi divulgado em 28 de setembro, nove dias antes do primeiro turno de 2018, o qual ocorreu em 7 de outubro. O levantamento, de fato, apontou Bolsonaro à frente, com 28% das intenções de votos.

Contudo, nos dias posteriores o instituto divulgou mais três pesquisas que tiveram um aumento nas projeções em favor de Bolsonaro.

Em 2 de outubro, uma pesquisa mostrou o atual presidente com 32% do total de votos e 38% dos válidos. Na contagem de votos, as porcentagens são calculadas com base nos votos válidos – que excluem nulos e brancos –, e não totais.

Outro resultado do Datafolha de 4 de outubro, mostrou Bolsonaro com 35% do total de votos e 38% dos válidos.

Já o levantamento feito às vésperas do pleito, em 6 de outubro, apontou que ele obteria 40% dos votos válidos e 36% dos totais.

Além disso, conforme o resultado divulgado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o presidente obteve 46% dos votos válidos e 42% dos totais, e não 47% como afirma a publicação.

Pesquisas eleitorais, como saber em quais posso confiar?

Em meio a essa diversidade de levantamentos existentes no Brasil, muitos eleitores não sabem em quais resultados acreditar.

No primeiro dia do ano passou a ser obrigatório (leia a resolução clicando aqui)o registro junto à Justiça Eleitoral de qualquer pesquisa pública relacionada às eleições para presidente e governador. Porém, se uma pesquisa está registrada não necessariamente significa que ela será confiável, isso porque não há nenhum tipo de fiscalização prévia sobre a metodologia desses levantamentos.

Atualmente, a confiabilidade das pesquisas é garantida no Brasil por meio da transparência. São algumas das informações que devem ser cadastradas junto à Justiça Eleitoral, tornando as pesquisas passíveis de contestação, caso qualquer irregularidade seja encontrada posteriormente:

  • Nome do contratante

  • Valor cobrado pela pesquisa

  • Origem dos recursos investidos

  • Metodologia

  • Período de realização

  • Sistema de fiscalização da coleta de dados

  • Tipo de questionário aplicado

Para identificar os atributos que mais merecem atenção nas pesquisas eleitorais, a reportagem do Yahoo! Notícias conversou com alguns especialistas no assunto e separou uma lista com os pontos mais importantes, confira aqui.

Conteúdo semelhante foi verificado pela Agência Lupa.