O dia em que a foto oficial da Seleção Brasileira virou uma grande polêmica

Seleção Brasileira antes de jogo na Copa de 1990 (Foto: Peter Robinson/EMPICS via Getty Images)
Seleção Brasileira antes de jogo na Copa de 1990 (Foto: Peter Robinson/EMPICS via Getty Images)

Os jogadores da Seleção Brasileira já treinam em Turim. Em 19 de novembro, um dia antes do início da Copa do Catar, partem para o país do Oriente.

A foto oficial de toda a delegação já entrou para o ritual de todas as copas como um evento especial.

Jogadores, integrantes da comissão técnica e dirigentes se reúnem para a pose histórica.

A foto costuma ser feita sem atropelos ou polêmicas.

Sim, normalmente é assim.

Mas não foi assim em 1990.

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Era a Copa da Itália.

A negociação pelos prêmios foi conturbada e gerou muita confusão no momento da foto.

O presidente da CBF era Ricardo Teixeira, no cargo há menos de um ano.

Ricardo Teixeira, ele mesmo, que foi acusado de corrupção no escândalo da Fifa.

Acabou sendo condenado e só não foi preso porque o Brasil não extradita seus cidadãos.

Voltando aos anos 90, a Seleção Brasileira vinha de boas atuações na Copa América de 1989, disputada no Brasil e vencida pelos brasileiros, após 40 anos.

O técnico era Sebastião Lazaroni, colocado no posto após bom retrospecto como treinador de Vasco e Flamengo.

Nas Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial da Itália, o Brasil encontrou dificuldades, mas conseguiu a classificação.

As disputas contra o Chile terminaram em confusão. No jogo de volta, no Maracanã, o goleiro Roberto Rojas fez um corte no rosto com uma lâmina de barbear, logo depois que um sinalizador marítimo foi atirado ao gramado.

Simulou ter sido atingido pelo sinalizador.

Como punições, Rojas acabou sendo banido do futebol e o Chile foi impedido de disputar as Eliminatórias para a Copa de 1994.

Obstáculos superados, a seleção foi para a Granja Comary, em Teresópolis, no Rio de Janeiro, para os treinos rumo ao Mundial.

Quando tudo parecia estar bem para a disputa do Tetracampeonato Mundial, surgiu o problema no dia da foto oficial.

Não houve acordo entre a direção da CBF e os líderes do grupo de jogadores, Dunga, Ricardo Rocha, Romário e Bebeto entre eles.

A Pepsi Cola era a patrocinadora oficial da Seleção Brasileira. Em protesto contra o valor da premiação oferecida pela empresa, e aceita pela CBF, os jogadores resolveram encobrir com a mão direita a logomarca do refrigerante estampado no lado esquerdo dos uniformes de treinos e jogos da seleção.

Quem olhava a foto pensava que era um gesto patriótico, mas a mão levada ao peito encobria a marca do patrocinador da seleção, como protesto.

O real significado do ato só ficou claro depois.

O clima ficou tenso antes da viagem para a Itália.

Outros fatores contribuíram para que a seleção de Lazaroni fizesse uma campanha pífia na competição.

O elenco era dividido.

Houve a formação de vários grupos, que brigavam pelo comando da equipe, tudo sob os olhares complacentes do técnico Sebastião Lazaroni que, antes mesmo do início do torneio, fechou contrato para dirigir a italiana Fiorentina, o que acabou acontecendo logo após o término da copa.

Sem comando sobre os jogadores, Lazaroni mostrava mais preocupação em assinar contratos publicitários.

Foi a estrela principal de um comercial da Fiat, em pleno mundial.

Na primeira fase, o Brasil derrotou a Suécia (2 a 1) e Costa Rica e Escócia, por 1 a 0.

Nas oitavas de final, porém, perdeu por 1 a 0 para a Argentina, com grande atuação de Diego Armando Maradona, que deu o passe para Caniggia decretar a derrota do desunido time de Sebastião Lazaroni.

A triste performance só não foi pior do que a de 1966, quando o sonho do tri, de uma seleção que tinha Pelé e Garrincha, virou vexame histórico.

O Brasil foi eliminado logo na primeira fase, após vitória sobre a Bulgária, por 2 a 0, gols de Pelé e Garricha, e derrotas por 3 a 1 para Portugal e Hungria.