O dia em que o já consagrado Pelé engrossou e pediu conselhos para melhor

Pelé em ação pelo Santos em 1973. Foto: Getty Images
Pelé em ação pelo Santos em 1973. Foto: Getty Images

Pelé, já em final de carreira no Santos – depois viria a atuar no Cosmos de Nova Iorque, de 1974 a 1977 -, vivia com a agenda repleta de compromissos pessoais e comerciais. Chegou até a gravar uma novela, “Os estranhos”, em 1969, na extinta TV Excelsior.

Dedicava pouquíssimo tempo aos treinamentos, aos jogos. Estava mais interessado em definir a data de sua despedida com a camisa do Santos Futebol Clube, o que realmente aconteceu no dia 2 de outubro de 1974, no jogo com a Ponte Preta, na Vila Belmiro.

Fora de forma e retornando aos gramados após uma contusão, Pelé foi fazer um jogo amistoso com o Santos, no interior de São Paulo.

O Peixe procurava fazer o maior número possível de partidas amistosas com o seu grande astro.

Claro, o objetivo era tirar proveito comercial dos últimos momentos da carreira do Atleta do Século no clube.

Naquele amistoso, Pelé foi muito mal, se é que isso era possível acontecer. Errou passes, mandou a bola para fora do estádio em cobranças de faltas.

Perdeu gols feitos. Nem parecia o Rei Pelé. Após o jogo, procurou o preparador físico do Santos na época, Claudio Aguirre.

ADEUS AO REI DO FUTEBOL:

É o próprio Aguirre que conta.

“Assim que acabou o jogo, o Pelé, com a toalha na cintura, veio na minha direção e disse assim: Como fui no jogo, professor?”

“Eu estava no Santos havia pouco tempo. Fiquei surpreso com a pergunta e saí de perto dele. Assim: O que este cara, que é o melhor jogador de futebol do mundo, pretende ao me perguntar como ele foi?”

Mas o Pelé insistiu.

“Como foi a minha atuação, professor?”

Aguirre continua.

“Eu respondi: - “Quem sou eu para dizer como você jogou, Pelé”?

“Então, ele insistiu – “Eu estou perguntando porque quero que você diga, professor”.

“Aí, como ele insistia, eu disse que ele estava sem sintonia, que precisava treinar mais, já que estava voltando de uma contusão”.

Aguirre continua...

“Então, o Pelé me perguntou o que deveria fazer. Eu disse que seria bom ele chegar mais cedo ao clube, para fazer um trabalho técnico sozinho. Sugeri que ele chegasse ao clube uma hora antes do treino e que pegasse uma bola para treinar sozinho no gramado da Vila Belmiro”.

Na manhã de segunda-feira, conta Aguirre, Pelé fez o que ele lhe havia sugerido.

O preparador físico recorda que durante uma semana Pelé chegava cedo, pegava uma bola e ia para o gramado treinar sozinho.

Num desses dias, ele voltou para o vestiário e disse que alguns torcedores e repórteres estavam enchendo a paciência dele.

Então, Claudio Aguirre disse que voltasse ao gramado e não se importasse com o que os torcedores e os repórteres estavam falando.

Pelé voltou ao campo e recomeçou o seu trabalho.

No domingo seguinte, ele voltou a jogar e a fazer gols e as jogadas sensacionais de sempre.

Não custa lembrar que, nesta época, Pelé já havia conquistado tudo que tinha para conquistar.

Já era tricampeão do mundo com a Seleção Brasileira, bicampeão da Copa Libertadores da América e do mundo com o Santos e já havia marcado mais de mil gols.

Isso era Pelé.