O digital chega com atraso na periferia, diz criadora da Wakanda Educação

·2 minuto de leitura
  • Busca por emancipação para população negra é a base da empresa criada em Salvador;

  • Indo a eventos diversos, Karine viu que a periferia precisava de uma dinâmica diferente;

  • Karine esteve falando sobre seu projeto no Shark Tank Brasil, onde conseguiu mais investimentos.

Natural de Salvador, Karine Oliveira está há cerca de 9 anos atuando com empreendedorismo de impacto social. Nos movimentos sociais, ela busca emancipação para população negra, com objetivo de auxiliar iniciativas de empreendedorismo para a comunidade LGBTQIA+ e, principalmente, mulheres negras.

"A galera quer incluir a periferia, trazendo diversidade. Mas na linguagem, é como se não estivessem falando comigo. O que seria esse ambiente em que eu pudesse entender sobre empreendedorismo, mas com uma linguagem que me sentisse pertencente?", indagou. Indo a eventos diversos, ela viu que a periferia precisava de uma dinâmica diferente do tradicional 'papo de empreendedor'. 

Leia também:

Startupês e outros termos pouco acessíveis fizeram com que a baiana criasse a Wakanda Educação Empreendedora, empresa que traduz conteúdos do empreendedorismo tradicional para a linguagem informal e regional. Karine acredita no fortalecimento de negócios periféricos e por necessidade - quase 1000 microempreendimentos já foram impactados desde 2018.

'Para crescer, precisamos de apoio'

Karine explica que não há um ambiente favorável para mulheres periféricas dirigirem e crescerem seus negócios. "Por questões estruturais, as pessoas perdoam os homens por estarem focados na empresa. Se a mulher tenta fazer a mesma coisa, é ao contrário: existe uma pressão social para que ela seja julgada e punida por focar na empresa", avalia. 

O modelo de educação para mães solo e os desafios vividos diariamente por elas incentivou Karine a criar espaços em que elas pudessem estudar e cuidar dos seus filhos. Em 2020, a empreendedora esteve falando sobre seu projeto no Shark Tank Brasil, onde conseguiu mais investimentos para a Wakanda Educação.

O digital na pandemia 

"A cultura do digital sempre chega com atraso na periferia", ressalta Karine. Sendo assim, uma das maiores dificuldades no período pandêmico foi a transformação digital. Uma pesquisa divulgada pela Serasa Experian, empresa de análise de crédito, que apontou que, em média, 47,1% das micro, pequenas e médias empresas pretendem ampliar seus investimentos em plataformas digitais para aumentar as vendas mesmo após a pandemia.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos