O domínio persiste: Medina e Filipinho fazem dobradinha brasileira na inédita etapa em ondas artificiais

Divulgação/WSL

Assim como nas últimas seis etapas, deu Brasil no Mundial de Surfe. Líder e vice-líder do ranking, Filipe Toledo e Gabriel Medina deram o tom no inédito campeonato disputado no Surf Ranch, no interior da Califórnia. E foi Medina quem levou a melhor, conquistando seu segundo evento seguido no ano e o 11º na carreira, ampliando ainda mais sua soberania entre os brasileiros na história.

Com entendimento perfeito do tempo da onda artificial, posicionamento perfeito nos tubos e muita pressão nas manobras, os estratosféricos aéreos foram só a cereja do bolo do atleta de Maresias na cidade de Lemoore.

Um novo formato foi testado e aprovado pelo mundo do surfe. E ficou provado, mais uma vez, que para acabar com o domínio brasileiro em qualquer tipo de onda será muito difícil. Oito etapas já rolaram em 2018 e nada menos que sete foram vencidas por brasileiros. Medina, Filipinho e Italo Ferreira venceram dois eventos cada um. Willian Cardoso levantou um caneco.

 :: A FASE QUALIFICATÓRIA

 Os três primeiros dias de eventos foram de classificação. Na quinta e na sexta, todos os 36 surfistas tiveram direito a surfar duas ondas para a esquerda e outras duas para a direita. Os atletas somariam a melhor nota para cada lado e os 8 melhores avançariam para a grande final do domingo.

 Tirando Gabriel Medina e suas notas espetaculares já no primeiro dia (9.30 e 8.40), todos os atletas ficaram na casa dos 15 pontos e décimos os separavam. O sábado deu mais uma oportunidade para cada lado para cada surfista e surpresas aconteceram. Miguel Pupo, por exemplo, estava entre os últimos, mas fez duas lindas e completas ondas para se colocar na zona de classificação.

 A briga pelas últimas vagas foi acirrada e muita gente saiu da piscina reclamando das notas. Para se ter uma ideia, a diferença de pontos entre o 6º e o 12º colocado foi de apenas 0.77. No final das contas, classificaram-se três brasileiros, dois australianos, um japonês, um havaiano e o americano dono da festa Kelly Slater.

  :: O DIA FINAL

O domingo começou com os brasileiros tomando conta da piscina. Gabriel Medina teve a melhor nota da primeira rodada, com um 8.73 para a direita. Na segunda volta, o destaque ficou por conta de Filipe Toledo, que fez nada menos que três aéreos, dois tubos e muitas rasgadas para marcar a maior nota do campeonato, um 9.80. Os atletas ainda ganharam uma esquerda extra, Medina arrancou um 9.13 e foi para a volta final 1.23 a frente de Filipinho.

Todos os surfistas foram para o tudo ou nada na terceira volta. A ousadia foi grande, mas os erros apareceram e poucos trocaram notas. Dessa forma, Medina pôde comemorar o título antes mesmo de fazer sua última apresentação. A volta do título foi com a bandeira do Brasil pendurada no pescoço.

Idealizador da piscina e maior campeão da história do surfe, Kelly Slater ficou com o terceiro lugar aos 46 anos de idade. O japonês Kanoa Igarashi foi o quarto, seguido de Owen Wright, Julian Wilson, Sebastian Zietz e Miguel Pupo, que marcou seu melhor resultado no ano.

:: CAMISA (VERDE E) AMARELA

 Desde o momento em que se garantiu na final, Filipe Toledo já assegurou que a camisa amarela destinada ao líder do ranking continuaria com ele. Mas assim como na última etapa, em Teahupoo, Medina venceu e diminuiu bastante a diferença para o compatriota. Hoje, são apenas 4.100 pontos entre eles.

 Julian Wilson conseguiu chegar na final, mas terminou com um 5º lugar e perdeu terreno na briga pelo título mundial. Ele está mais de 12 mil pontos atrás de Filipinho, sendo que um título valo 10 mil pontos. Apesar da má campanha no Surf Ranch, Italo Ferreira segue na quarta colocação.

 Domínio verde-amarelo segue no ranking mundial

 :: O RESTANTE DA TEMPESTADE

 O formato de competição fez com que alguns brasileiros terminassem em posições abaixo do esperado. Rápidos, fortes e mais do que acostumados com as manobras progressivas, Yago Dora e Italo Ferreira não conseguiram se classificar para o dia final. Yago foi bem demais e ousou bastante, mas por apenas 0.43 não se qualificou e terminou com um bom 9º lugar. Italo também mostrou todo o seu repertório, mas sua onda para a esquerda não rendeu o esperado e ele terminou apenas em 13º.

 Tomas Hermes, Adriano de Souza, Michael Rodrigues e Ian Gouveia também tiveram ondas na casa dos 7 pontos, mas se despediram do rancho do tio Kelly com o 13º lugar. Já Willian Cardoso, Jessé Mendes e Wiggolly Dantas não se entenderam com as ondas artificiais e saíram da Califórnia com a 25ª e última colocação.

 :: DOMÍNIO HAVAIANO

As 18 mulheres que caíram na água também tiveram direito a três ondas pra cada lado nos três primeiros dias e as quatro melhores se classificaram para a final do domingo. Carissa Moore, Lakey Peterson, Caroline Marks e Stephanie Gilmore tiveram os melhores desempenhos e avançaram.

 Com muita segurança desde o primeiro dia, a havaiana Carissa Moore teve o melhor desempenho em todas as fases e garantiu o inédito título. Na final, ela somou 17.80 contra 16.70 da líder do ranking Stephanie Gilmore, 16.57 da americana Lakey Peterson e 14.77 da jovem americana Caroline Marks.

 As brasileiras Silvana Lima e Tatiana Weston-Webb não tiveram um bom evento e terminaram com pontuações bem parecidas (13.83 x 13.80). Com isso, as duas deixam Lemoore com o 9º lugar. Silvana, inclusive, encerrou a temporada mais cedo, já que vai ter que operar os dois joelhos por contas de lesões antigas.

 :: PRÓXIMA ETAPA

 A brincadeira na piscina foi boa, mas os melhores surfistas do mundo agora voltam para o seu habitat natural. O mês de outubro é o mês da perna europeia do Circuito Mundial. A partir do próximo dia 03, Filipinho, Medina e companhia estarão em Landes, na França, para a oitava etapa do Mundial. E no a partir do dia 16, a penúltima etapa da temporada será em Peniche, Portugal. Tudo sobre o surfe e o final emocionante de temporada você acompanha aqui no Yahoo!