O erro cada vez mais claro de Neymar e de investimento do PSG

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Jogada do Real é rebatida por Zahavi: "Neymar não pode jogar com Ronaldo ou Messi"

O homem que intermediou a transferência recorde do brasileiro ao PSG acredita que ele precisa de "independência" para florescer
Header Gabriel Pazini

Mais uma vez, o Paris Saint-Germain provou ser um time da Ligue 1. Como aconteceu nas últimas temporadas, apesar do investimento pornográfico e da ambição europeia, o PSG se apequenou contra um dos gigantes do Velho Continente nos grandes momentos e na hora da verdade na Champions League.

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Exatamente o oposto do Real Madrid, gigante que, inegavelmente, está (muito) acima dos franceses na história do futebol. O time espanhol, de forma impressionante, como tem acontecido frequentemente nas últimas temporadas, cresce nos grandes jogos, supera os problemas e vence. Não à toa, trata-se do maior e atual bicampeão da Champions League.

Nesta terça-feira (6), a esperada classificação do Real Madrid foi confirmada com vitória por 2 a 1 em pleno Parc des Princes. Como no jogo de ida, a diferença entre as equipes, tanto dentro de campo quanto na grandeza, foi vista. Depois de um primeiro tempo equilibrado, mas com os espanhóis tendo as melhores chances, o PSG fez uma etapa final ridícula.

Superior, criando mais oportunidades, tendo o controle do jogo e sendo raramente ameaçado, o Real construiu sua vitória que poderia ter sido mais elástica não fossem alguns bons contra-ataques desperdiçados. Também foi novamente vista a diferença entre os treinadores. Bicampeão da Champions League e do Mundial de Clubes, e campeão de La Liga, entre outros títulos, com apenas dois anos de trabalho, Zinedine Zidane mais uma vez mostrou porque é um ótimo e competente profissional e merece a confiança madridista.

Casemiro PSG Real Madrid Champions League 06032018.jpg

O francês segue seu trabalho fenomenal e suas apostas em Asensio e Lucas Vázquez, deixando Bale e Isco no banco, já que Toni Kroos e Luka Modric ainda não estão 100% fisicamente, se mostraram corretas com as ótimas atuações de ambos em todos os aspectos. Isso fora a já habitual ótima organização tática de sua equipe, muito ciente do que deve fazer e com o jogo nas mãos. Unai Emery, por sua vez, novamente se apequenou, cometeu erros e mostrou estar longe de ser o técnico ideal para o ambicioso PSG. Impressionou o quanto o espanhol foi passivo durante a partida.

Entre os jogadores, Casemiro, um dos melhores volantes do mundo na atualidade, teve mais uma bela atuação coroada com gol. Com excelente posicionamento, ótimos desarmes e inteligência, ele não deu espaços para o PSG trabalhar a bola e criar. Além disso, foi vital na saída de jogo e transição defesa-ataque, fora as boas chegadas ao setor ofensivo como elemento surpresa.

E, claro, é impossível não destacar Cristiano Ronaldo. O gajo segue imparável e impressionante. Decisivo como sempre, o camisa 7, maior artilheiro da história da UCL, com agora 116 gols, e também principal goleador da edição atual, com 12 tentos em oito partidas, teve boa exibição, balançou as redes como de costume, em bela cabeçada, e segue sua sequência impressionante.

São 22 gols nos últimos 13 jogos na Champions League. Espetacular.

Cristiano Ronaldo Real Madrid

Ficou nítida, mais uma vez, a diferença do clube e do jogador que são os senhores da Champions League para um time francês ainda muito abaixo dos gigantes.

A classificação merengue comprova tudo isso, e também comprova o erro de Neymar em escolher se transferir para o Paris Saint-Germain.

Quando Neymar foi para o PSG, ficou muito claro que sua escolha se baseou na ambição de se tornar o melhor jogador do planeta e, especialmente, na quantidade absurda de dinheiro. Nada contra a escolha do craque. O camisa 10 faz o que bem entender e a decisão é pessoal. Você gostaria de ganhar mais dinheiro do que recebe atualmente, certo? Ou vai dizer que não?

A questão é que Neymar escolheu uma equipe abaixo dos gigantes europeus tanto no nível e nos resultados quanto na grandeza e na tradição. Em outros times que também desejavam e desejam contratá-lo, ele poderia ser a grande estrela e estar em melhores condições de concretizar sua ambição de ser coroado o melhor futebolista do planeta. Com paciência, isso também aconteceria no Barcelona em um futuro não muito distante.

Nasser Al Khelaifi Neymar PSG
(Fotos: Getty Images)

Financeiramente, uma escolha extraordinária. Esportivamente, não.

Neymar, até se lesionar, fazia uma excelente temporada. Vice-artilheiro e líder de assistências da Ligue 1, com números e desempenho incríveis. No entanto, o craque estava atuando em um torneio de nível técnico baixo, contra adversários fracos. Ele, claramente, está muito acima do nível do fraquíssimo Campeonato Francês.

Além disso, o camisa 10 passou a ver seu nome envolvido em polêmicas o tempo inteiro, com uma frequência que não acontecia anteriormente, e passou a ser muito (mais) criticado. Nem mesmo o show dentro de campo conseguiu apagar as atitudes fora e, algumas vezes, até dentro das quatro linhas do brasileiro. Ao contrário do que ocorria no Barcelona, por exemplo, quando ele se envolvia em menos situações desconfortáveis e, quando se envolvia, rapidamente tudo era esquecido e perdoado.

Escrevi, quando Neymar se transferiu para o PSG, que ele dificilmente ganharia a Champions League atuando pelo clube francês e sua equipe estava muito distante dos gigantes europeus. A análise, na verdade, era um tanto óbvia, e se comprovou nesta terça-feira com a esperada eliminação de seu time. Mais uma vez, de forma precoce, ainda nas oitavas de final da competição.

GFX Neymar PSG Champions League Ligue 1 2017/18

Seria diferente com Neymar em campo? Não dá para saber e cada jogo é um jogo, mas é difícil acreditar que seria, como o duelo no Santiago Bernabéu provou e vários outros pontos já abordados também.

A escolha do craque brasileiro vai se provando a errada cada vez mais. Ele atua em uma liga de nível técnico baixo, enfrenta adversários fracos e foi eliminado precocemente da Champions. Com ou sem ele, é obrigação para seu time conquistar a França.

Neymar está ganhando dinheiro como nunca, mas esportivamente, sua escolha não foi das melhores. No fim das contas, o PSG fez o inacreditável investimento de 402 milhões de euros para conquistar a "concorrida", "fortíssima" e "complicada" Ligue 1.