O estilista e a artesã: romance começou com uma encomenda

Se a infância do estilista Italo William, em Rocha Miranda, foi marcada pelas lembranças da mãe e da avó sentadas em máquinas de costura, transformando tecidos em roupas, o presente e o passado recente do proprietário da Neri Modas também estão intimamente ligados às peças produzidas com panos, linhas e afins. Foi há sete anos, quando ainda comercializava camisetas em eventos de samba e divulgava estes produtos de forma amadora entre amigos e conhecidos, que o ex-jogador de futebol fez a venda que mudaria os rumos da sua vida, pessoal e profissional. O acontecimento a seguir conseguiu a proeza até de fazer o empresário trocar o bairro em que nasceu e foi criado por Benfica, seu atual endereço e origem daquela com quem viria a viver uma história de amor.

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Em 2015, a cenotécnica Ana Costa encomendou uma blusa para um certo alguém que conheceu no escritório em que trabalhava. No dia da entrega do pedido, alguma coisa aconteceu no coração dos dois, que hoje dividem o mesmo teto, os cuidados com João Guilherme, de 15 anos, filho da também produtora de eventos, e a paixão pelos objetos que nascem a partir de uma máquina de costura. Na véspera do Dia dos Namorados, o romance confeccionado dia após dia por este casal é prova de que amor, trabalho e parceria podem caminhar lado a lado.

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No início da pandemia de Covid-19, em busca de uma nova possibilidade profissional, já que o setor de eventos estava parado, Ana fez um curso de confecção de bonecas de pano. Pela primeira vez, sentou-se diante da máquina que também é fonte do sustento de muitos dos seus familiares. O utensílio em questão chegou às suas mãos através das de William. Quis o destino que o estilista, que teve a carreira incentivada pela mulher, por sua vez abrisse as portas para que ela, de certa forma, entrasse de vez para o seu universo.

— A minha mulher foi muito presente na organização financeira da minha marca, a Neri Modas. Ela é a parte motivacional do negócio. Eu tinha a grife há um ano quando conheci a Ana, mas ela foi uma figura central no meu processo de profissionalização. Crescemos juntos, um sempre ajuda o outro. Na pandemia, quando ela se interessou por fazer bonecas de pano e criar a Ana Costa Ateliê, dei a maior força. Atualmente, as peças das nossas marcas são vendidas no mesmo lugar — diz o empresário, referindo-se ao coletivo Casa Afrodai, no Centro.

Quando volta no tempo, William se orgulha da história que vem construindo ao lado de Ana.

— Ela abraçou a costura, o empreendedorismo e a nossa relação. Viver junto não é fácil, requer amor, respeito e admiração, mas tudo isso nós temos de sobra. Esta união ainda me deu um enteado maravilhoso, que mora com a gente, em Benfica. Aliás, só a Ana para me tirar de Rocha Miranda — diz.

A cenotécnica e artesã relembra o início do namoro e a trajetória que vem costurando a quatro mãos com o estilista.

— Quando conheci o Italo, ele colocava as camisas que a mãe dele, Iara, fazia dentro de uma mochila e saía para vendê-las, principalmente em rodas de samba. Já no início do namoro, percebi que ele não visava ao lucro, que não sabia reinvestir o que ganhava. Eu procurei fazê-lo enxergar um futuro neste ramo da moda. Aos poucos, o dinheiro começou a entrar e a render. Logo depois veio a identidade afro da marca, e Italo virou um estilista que cria estampas e modelos. Eu poderia não ter me preocupado com o lado empreendedor dele e simplesmente continuar tocando a minha vida normalmente. Mas acendi uma chama para que ele pudesse voar alto — ressalta.

Apesar de ter crescido entre máquinas de costura, William não imaginava que a sua realização profissional estaria na moda.

— Eu comecei a vender roupas por necessidade. Não tinha conseguido avançar no futebol e também não me consolidei como ator, a carreira pela qual me encantei após aposentar as chuteiras. Fiz alguns trabalhos no teatro, em publicidade, mas estava difícil viver de arte. Quando apostei para valer na moda, conheci a demanda, o meu público-alvo e a temática africana. Encontrei o meu lugar no afroempreendedorismo. A próxima coleção da Neri Modas vai unir a pegada afro com uma inspiração suburbana, que trago dos meus tempos de Rocha Miranda. Passei a amar o mundo da moda, um caminho que sigo ao lado da mulher que é uma grande parceira — derrete-se.

Ana corresponde à altura:

— Italo não só se uniu a mim como também ao meu filho. Isso é amor!

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