O 'estranho' confinamento de Milão e da próspera Lombardia

Francesco GILIOLI
·2 minuto de leitura
Donos de restaurante e comerciantes no geral protestam com cartazes dizendo "Trabalho é uma coisa essencial", na cidade de Milão, em 27 de outubro de 2020
Donos de restaurante e comerciantes no geral protestam com cartazes dizendo "Trabalho é uma coisa essencial", na cidade de Milão, em 27 de outubro de 2020

As regiões industrializadas do norte da Itália começaram nesta sexta-feira (6) a obedecer a um "estranho" confinamento, conforme anunciou o jornal Il Corriere della Sera, com lojas fechadas, escolas abertas e uma Milão menos deserta do que o esperado.  

"As decisões do governo devem ser respeitadas. Convido os milaneses a ficarem o máximo possível em casa, estamos vivendo dias difíceis", alertou o prefeito da cidade, Beppe Sala, em vídeo publicado nas redes sociais.  

Enquanto em toda a península o toque de recolher entra em vigor das 22h00 às 05h00, no horário local, com o objetivo de impedir o aumento exorbitante dos casos do novo coronavírus, nas quatro "zonas vermelhas" da Itália, as mais afetadas, foi ordenado confinamento por um mês.

A divisão por cores das 20 regiões da península, em vermelho para as de alto contágio, laranja para médio e amarelo para moderado, definida pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte, afeta principalmente o norte da Lombardia e sua capital Milão, e Piemonte, áreas economicamente importantes, classificadas como "zonas vermelhas".  

A movimentada capital financeira da Itália estava menos agitada nesta sexta-feira e, apesar do céu nublado, algumas pessoas foram vistas nos meios de transporte ou comprando produtos essenciais em supermercados, o que é permitido pelas novas regras.  

"Acho que chamar algumas regiões de zona vermelha e excluir outras não é solução. Para muitas pessoas é uma decisão injusta e, na verdade, é um pouco injusta. Se o confinamento for decidido, deve valer para todos. De qualquer forma, não tivemos proveito da experiência que vivemos em março ", lamentou à AFP a italiana Susy Porcu, que mora em Milão.

A capacidade do transporte público em Milão deve ser de 50% e há pouco controle policial nas ruas e estradas. Alguns bares permaneceram abertos, já que podem funcionar somente para pedidos para se levar para casa, além de livrarias, papelarias, floristas, perfumarias e cabeleireiros. 

"Me incomoda não me sentir livre. O confinamento, essa restrição que eles nos impõem, é como se um pedaço da minha vida fosse roubado de mim. Mas ao mesmo tempo é necessário, porque esse vírus está se espalhando muito rápido", disse Mario Belloni à AFP , de 56 anos, residente na vizinha Lodi, resumindo o sentimento de muitos italianos. 

Na estação ferroviária central de Milão, que estava meio vazia, alguns estudantes e garçons apresentavam as justificativas para poder se locomover. 

A Itália, que impôs uma quarentena em março por mais de dois meses, teme um novo surto da covid-19, que "corre como um trem", alertou Conte nesta sexta-feira. 

O vírus, que ja tirou a vida de quase 40.000 pessoas desde março no país, começou a novamente se espalhar fortemente pela Itália em outubro, registrando 446 mortes e 37.805 novos casos nesta sexta-feira.

bur-kv/mis/bn