'O estripador': famílias de vítimas acusam série da Netflix de glorificar assassino

O Globo
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RIO - Famílias das vítimas de Peter Sutcliffe - o Estripador de Yorkshire, que entre 1975 e 1980 assasinou 13 mulheres e assombrou as vida de outras milhares no Norte da Inglaterra - acusam a série documental da Netflix "O estripador" (que estrou no Brasil esta quarta-feira) de glorificar o seral killer.

Membros das famílias contestaram o título da série de quatro partes (que foi alterado de "Era uma vez em Yorkshire" para "O estripador") e, em uma carta aberta ao jornal "The Sunday Times", disseram que a alcunha de “O Estripador de Yorkshire” “traumatizou a nós nas últimas quatro décadas”. “Isso glorifica a violência brutal de Peter Sutcliffe e concede a ele um status de celebridade que ele não merece”, acrescentaram.

Alguns dos familiares que assinaram a carta deram depoimentos à série, mas asseguraram que o não teriam feito caso soubessem que o título seria alterado. “Lembre-se de que a palavra 'estripador' se refere a carne dilacerada e o uso repetido desse termo é irresponsável, insensível e insultuoso para nossas famílias e o legado de nossas mães e avós”, escreveram na carta, em que dizem também sentir-se traídos pelos produtores da série.

Em sua defesa da série, a Netflix declarou: “Esta não é uma série sobre Sutcliffe, mas um sensível reexame dos crimes no contexto da Inglaterra no final dos anos 1970”. Peter Sutcliffe, que morreu no mês passado após contrair Covid-19, estava cumprindo pena de prisão perpétua pelos assassinatos de 13 mulheres em Yorkshire e no Noroeste da Inglaterra entre 1975 e 1980. Ele tinha 74 anos.

Segundo a Netflix, na sinopse de "O estripador", "ao contar as curiosidades e reviravoltas da maior caçada da história da polícia britânica, esta série reexamina os crimes na Inglaterra do fim da década de 1970: uma época de mudança radical, desindustrialização, pobreza, masculinidade e misoginia — um contexto que contribuiu para que o Estripador escapasse por tanto tempo."