O Fórum Econômico Mundial não recrutou “guerreiros da informação” para controlar internet

O Fórum Econômico Mundial (FEM) não anunciou o recrutamento de “guerreiros da informação” para controlar a internet, ao contrário do que indicam afirmações compartilhadas nas redes sociais desde 18 de agosto de 2022. As alegações distorcem uma campanha da ONU para combater a desinformação. O trecho replicado foi retirado de uma entrevista de 2020 realizada com a subsecretária de Comunicação das Nações Unidas, que apresentou a campanha “Verificado” em um podcast produzido pelo órgão. Melissa Fleming explicou à AFP que a iniciativa consiste em capacitar voluntários que recebem e divulgam um boletim informativo com informações verificadas.

“O WEF (Fórum Econômico Mundial) pode contratar 110.000 ‘guerreiros da informação’ para ‘reforçar’ a narrativa oficial sobre o Covid 19, a agenda climática, a guerra por procuração na Ucrânia”, indicam publicações no Twitter (1, 2, 3).

“OS DONOS DA VERDADE WEF - Fórum Económico Mundial anuncia recrutamento de 'Guerreiros da Informação' para controlar a narrativa nas mídias sociais Quando a verdade e os factos afrontam poderes, interesses, agendas e narrativas construídas e sem fundamentos reais, o que tentam fazer? Aniquilar essa mesma verdade através da censura, mobilização da delação e desinformação, sim essa que apregoam ser uma ameaça pública”, escreveu um usuário no Facebook (1, 2).

Captura de tela feita em 4 de setembro de 2022 de uma publicação no Facebook ( . / )

Conteúdo semelhante circula em espanhol e em inglês (1, 2) juntamente com um artigo do site News Punch.

No texto, publicado em 17 de agosto de 2022, o portal aponta que o Fórum Econômico Mundial anunciou em seu site o lançamento de um podcast produzido pelo órgão cujo título é “Em busca de uma cura para a infodemia”. Nele, a subsecretária de Comunicação das Nações Unidas, Melissa Fleming apresentou a campanha “Verificado” das Nações Unidas.

A parte desta campanha chamada de 'verificar e pausar' também envolve o recrutamento de pessoas em todo o mundo e, até agora, recrutamos 110.000 voluntários da informação e os capacitamos com conhecimento sobre como a informação falsa se espalha e pedimos que eles atuem como 'primeiros respondedores digitais' naqueles espaços onde a desinformação circula (...) e que compartilhem a boa informação”, comentou Fleming aos 7 minutos e 15 segundos de sua entrevista.

Campanha da ONU para receber informações

A campanha “Verificado” é uma iniciativa que as Organizações das Nações Unidas (ONU) lançaram em 2020 para combater a desinformação na internet durante a pandemia de coronavírus. “As pessoas estavam procurando informações sobre o coronavírus e se depararam com muitas informações falsas, então queríamos garantir que elas também pudessem acessar informações verificadas nos espaços onde a desinformação se move, como redes sociais ou grupos de conversa”, disse Fleming à AFP.

No entanto, a subsecretária-geral de Comunicações Globais da ONU falou sobre a dificuldade de chegar a esses espaços para combater conteúdos falsos, daí a importância dos voluntários existirem. “Nós os chamamos de voluntários da informação e são pessoas que querem ter informações verificadas sobre o que está acontecendo e ajudar simplesmente compartilhando nosso conteúdo em suas próprias comunidades”, comentou.

Conforme explicado no projeto, os voluntários se inscreveram para receber diariamente uma curadoria de conteúdo das Nações Unidas com o objetivo de compartilhar “mensagens simples que combatem diretamente informações erradas ou preenchem um vazio de informações” que chega a eles por meio de um boletim informativo.

Em 5 de setembro de 2022 a campanha seguia ativa e é possível se inscrever no site para receber os informativos. “Inscreva-se para se tornar um voluntário ou voluntário de informações e receba informações para compartilhar com seus contatos”, diz o anúncio da campanha. A iniciativa faz parte de um projeto maior que também ensina como verificar as fontes das alegações e identificar a desinformação.

Além disso, Fleming comentou que o projeto “não tem afiliação com o Fórum Econômico Mundial” e que o podcast do qual participou é uma das muitas ações que fez no “Verificado”, como este artigo publicado no The Economist. “Temos muitos colaboradores no projeto, mas não o Fórum Econômico Mundial”, explicou. Entre os colaboradores estão plataformas como Twitter, Facebook, Abraji e Agência Lupa.

News Punch não garante a veracidade de suas informações

News Punch, o site que compartilhou a afirmação sobre o Fórum Econômico Mundial  supostamente ter recrutado  "guerreiros da informação" para controlar a internet, afirma em seus termos e condições que não é responsável pela veracidade das informações veiculadas na plataforma.

“A Newspunch, LLC e/ou seus fornecedores não são responsáveis pela adequação, confiabilidade, disponibilidade, pontualidade e precisão das informações”, explicam.