O futuro incerto dos consoles de videogames

Jules BONNARD
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Imagem de um evento de apresentação para a imprensa de 'Halo: Infinite', em 9 de junho de 2019 em Los Angeles
Imagem de um evento de apresentação para a imprensa de 'Halo: Infinite', em 9 de junho de 2019 em Los Angeles

A nona geração de consoles de videogame está prestes a chegar, impulsionada pelo confinamento, mas o futuro do setor é incerto, já que os "gamers" optam por outras formas de jogar.

As duas versões do PlayStation 5 (PS5) da Sony e do novo Xbox Series X e S da Microsoft estarão à venda entre 10 e 19 de novembro, começando pela gigante americana.

Um dia após a apresentação da Sony, as pré-vendas do PS5 se esgotaram em muitos varejistas, um sinal do entusiasmo pelos consoles de "next-gen" (nova geração), e as duas fabricantes se preparam para o Natal.

A japonesa, que acaba de revelar suas metas anuais, planeja vender 7,6 milhões de unidades até o final do ano fiscal, em março de 2021.

Os consoles 2020 terão imagens 4K de ultradefinição e reflexos de luz para iluminar cenas nas sombras (Ray Tracing), bem como uma potência incomparável.

"Quando se observa as características técnicas das máquinas, estamos em níveis dez vezes maiores que a geração anterior. Vamos ter jogos mais bonitos, mais reais, mais envolventes. Eles vão nos dar um tapa na cara", entusiasma-se à AFP Charles-Louis Planade, especialista em videogame da Midcap Partners.

- Fim dos consoles físicos? -

O desafio da Sony é bater seu próprio recorde de 110 milhões de PS4s vendidos desde o lançamento da geração anterior em 2013. 

"Para a Microsoft, o desafio é não ficar muito atrás da Sony, ou mesmo jogar em igualdade de condições com ela", acrescenta Planade. Diante do número crescente de jogadores, "são metas alcançáveis", acredita o analista. 

No entanto, os dois consoles chegam em um momento em que os gamers estão começando a deixar de usar máquinas caras e pesadas e optam por sistemas de assinatura, ou sob demanda.

"Esta geração de consoles pode ser a última física. Esta é a última vez que ouviremos falar de teraflops", uma unidade de medida de desempenho de computador, diz Audrey Leprince, cofundadora do estúdio independente The Game Bakers.

Segundo ela, as inovações em termos de interface são "bastante anedóticas", e o desenvolvimento de jogos não evoluiu muito.

Ao contrário, "a chave do sucesso desta geração será a mudança no sistema de assinaturas" que tende a uma espécie de "Netflix dos videogames", afirma. 

As ofertas de assinatura para o Game Pass da Microsoft e o PlayStation Plus da Sony "vão revolucionar completamente a indústria, assim como fizeram com filmes e música". 

"O desafio para as fabricantes é manter uma base de assinantes que, por enquanto, os aspirantes no mercado ainda não têm", como Google e Amazon, diz Charles-Louis Planade.

- Fase de transição -

Tanto o Google quanto a Amazon apostam em jogos em "streaming" (ou "cloud gaming") que não precisam de console. 

Contra isso, os consoles de nova geração querem ser híbridos, permitindo aos usuários comprar um jogo físico, baixá-lo, ou jogá-lo em "streaming" com os serviços xCloud, da Microsoft, e PlayStation Now, da Sony.

"Estamos em uma fase de transição, na qual o meio óptico e o 'cloud gaming' coexistirão", afirma Laurent Michaud, analista especializado no setor de videogames, à AFP. 

"As tendências mostram que não será a última geração de consoles. Por exemplo, a resolução da imagem está programada para aumentar de 4K para 8K (cerca de 8.000 pixels de largura), e as redes, mesmo daqui a vários anos, não serão rápidas o suficiente para transportar essas imagens", completou.

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