O insólito diálogo de Lula e Trabuco no jantar com empresários

Num dos vários jantares que fez nas últimas semanas com empresários e representantes do mercado financeiro, na casa do empresário José Seripieri Junior, em São Paulo, Lula e o presidente do conselho do Bradesco, Luiz Trabuco, protagonizaram um diálogo insólito.

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A cena se passou em 20 de junho e foi relatada por dois comensais. O ex-presidente, que se esforçava para passar a ideia de que não tem uma agenda antimercado e nem antibancos, mencionou em certa altura que defendeu a escolha de Trabuco para ser ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, em novembro de 2014.

"Inclusive naquela época, Trabuco, a Dilma me garantiu que seria você, que ela conversaria com você na viagem a Dubai (a presidente foi aos Emirados Árabes naquele período) e, na volta, já te anunciaria como o novo ministro", contou Lula. "Mas, quando ela chegou, disse que seria o Joaquim Levy (ex-secretário do Tesouro, confirmado no ministério no final de novembro de 2014)".

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O ex-presidente então lançou um olhar curioso a Trabuco. "Eu nunca entendi o que aconteceu. A Dilma não falou com você?"

O banqueiro respondeu sem graça. "Ela falou comigo sim, presidente. Mas eu nunca estive em Dubai", disse, sem dar maiores detalhes do que foi dito e nem de por que não foi ele o escolhido.

Lula, talvez percebendo o constrangimento de Trabuco, enveredou por uma conversa mais genérica sobre a alta dos juros e não sobre juros altos e não esticou o assunto.

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Apesar do clima ameno do jantar, não daria para dizer que os convidados saíram menos desconfiados de Lula do que estavam antes ou mais convencidos a apoiá-lo.

Dez dias depois desse diálogo, o petista deu uma entrevista à rádio Metrópoles, da Bahia, em que classificou os banqueiros como pessoas ignorantes que só querem "acumular riqueza", e imbecis.

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"Ah... o fulano de tal é o mais rico do mundo, tem 50 milhões de dólares, outro tem 70 milhões. Pra quê? Você vai gastar no quê? Pra que você quer acumular tanto dinheiro, imbecil? (...) Distribua um pouco do seu salário. Distribua com alguns benefícios”, afirmou, logo depois de dizer que seus governos promoveram a inclusão de milhões de pessoas no sistema financeiro através da elevação do poder de compra.

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