O lado machista da Força: o sofrimento de Carrie Fisher em "Star Wars"

Carrie Fisher em Star Wars: Uma Nova Esperança: desconforto causado por exigência de George Lucas (reprodução)
Carrie Fisher em "Star Wars": Uma Nova Esperança: atriz não usou sutiã por exigência de George Lucas, criador da franquia (reprodução/Disney)

Resumo da notícia:

  • Carrie Fisher, intérprete da Princesa Leia, foi vítima do machismo em "Star Wars"

  • Atriz sofreu com figurinos e precisou "fazer sexo com um nerd" para ganhar o papel

  • Até mesmo o seu retorno ao papel em "O Despertar da Força" foi marcado por exigência de perda de peso

Carrie Fisher, a intérprete de Princesa Leia, é uma das vítimas mais lembradas do machismo em Hollywood. Ainda que tenha conseguido marcar o seu nome na cultura pop como a personagem, a atriz sofreu com exigências absurdas e a opressão masculina dos estúdios. Neste 4 de maio, data criada para celebrar a franquia no mundo, lembramos algumas histórias que mostram que a saga destratou a sua maior estrela feminina. Infelizmente.

Proibição de usar sutiã

Carrie Fisher desde o início na saga Star Wars percebeu que a sua personagem havia sido criada para agradar o público feminino. Logo de cara, no primeiro filme da franquia, ela teve problemas com o figurino da Princesa Leia. "Eles colocaram o vestido em mim no primeiro dia e me trouxeram para George (Lucas). Ele olhou para mim e disse: 'Você não pode usar sutiã por baixo desse vestido'", contou a atriz no especial Wishful Drinking, em 2010, na HBO.

"Então eu disse: 'Por quê?', e ele (George) respondeu: 'Porque não existem roupas íntimas no espaço'. E o homem disse isso com muita convicção também", finalizou ela sobre a preparação para as filmagens de "Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança" (1977). O desconforto também chegou a ser contado pela atriz durante discurso no prêmio AFI Life Achievement Award (abaixo): "George é sádico".

Luta para não ser uma "escrava"

Carrie Fisher as Princess Leia, 1983 shot for Rolling Stone Magazine. (Photo by Aaron Rapoport/Corbis via Getty Images)
Carrie Fisher com o biquíni dourado da princesa Leia em ensaio realizado na praia, em 1983, para a revista Rolling Stone (Foto: Aaron Rapoport/Corbis via Getty Images)

As vestimentas da princesa Leia incomodavam tanto Fisher que, durante conversa com Daisy Ridley promovida pela revista Interview em 2015, ela ofereceu um conselho à intérprete de Rey na franquia. “Não seja uma escrava como eu era. Lute pelo seu figurino", disse a veterana.

O figurino que mais incomodou Fisher durante a sua passagem por Star Wars foi o biquíni dourado usada pela princesa Leia quando ela é mantida como escrava por Jabba the Hutt em "O Retorno de Jedi" (1983). Criado pela designer Aggie Rodgers em colaboração com Nilo Rodis-Jamero, a peça foi inspirada no trabalho do ilustrador Frank Frazetta em "Conan, O Bárbaro" e "John Carter de Marte".

Em entrevista ao Yahoo estadunidense, Rodgers disse que a peça foi criada para não mostrar demais o corpo de Fisher e defendeu a sua criação. "Ela está completamente coberta. Nunca houve alguma discussão se seria algo lascivo. Não havia nenhum decote profundo. Era um biquíni", afirmou.

Fisher, por sua vez, nunca viu bem a ideia de vestir uma peça que mostrava mais o seu corpo. Até por isso ela se sentiu vingada ao matar Jabba no longa. "Isso foi bom. Eu esmaguei o pescoço com a corrente. Eu aproveitei muito esse momento porque eu odiei usar aquele figurino por ficar lá sentada. Eu não via a hora de matá-lo", disse em coletiva de imprensa realizada em 2015.

Sexo pelo papel

Indiscutivelmente uma vítima do machismo, ela foi questionada pela revista Vanity Fair, em 2006, sobre o seu esforço para convencer George Lucas a lhe escalar como princesa Leia na franquia. A resposta dela causou espanto na época: "eu transei com um nerd. Espero que tenha sido George. Usei muitas drogas e não lembro quem foi", garantiu.

Carrie Fisher morreu em dezembro de 2016, vítima de um infarto. Durante a vida, ela sofreu com o vício em drogas e também foi diagnosticada com transtorno bipolar e depressão. Apesar de todo o machismo envolvido em Star Wars, ela conseguiu transformar a Princesa Leia em um dos maiores ícones feministas na cultura pop.

Até mesmo em 2015, quando foi chamada para reprisar o papel de Leia em "Star Wars - O Despertar da Força", Carrie Fisher precisou ceder às demandas dos homens de Hollywood. Obrigada a a emagrecer para voltar a viver Leia aos 59 anos, ela reclamou do culto à beleza em Hollywood: “Estou em um negócio onde a única coisa que importa é o peso e a aparência. Isto é tão errado", declarou ao E! Online.

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