O legado do primeiro encontro mundial de jovens cegos para a inclusão

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Mulher olha para o computador enquanto conversa com outras nove pessoas em reuniao online
Encontro aconteceu de forma virtual a reuniu milhares de jovens de diversos países do mundo (Foto: Getty Images)

O dia 26 de junho de 2021 vai ficar marcado como um daqueles grandes momentos históricos pelos direitos humanos. Nessa data, mais de 200 pessoas dos cinco continentes se reuniram virtualmente para o primeiro encontro mundial de jovens cegos e com baixa visão. E eu pude participar e acompanhar tudo isso de perto.

O evento foi organizado pelo comitê de jovens da União Mundial de Cegos (UMC) e contou com o apoio do Grupo Social ONCE, sediado em Madri, na Espanha. O encontro faz parte do Congresso Mundial de Pessoas Cegas, que reúne mais de 4 mil pessoas de 190 países para discutir o futuro das 285 milhões de pessoas cegas e com baixa visão no mundo.

Por questões sanitárias, infelizmente o encontro não pôde ser presencial. Mesmo assim, nos conectamos intensamente. Compartilhamos nossos desafios para ter uma vida digna, com igualdade de oportunidades e acessibilidade.

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O evento contou com painéis sobre artes, esportes, educação inclusiva, empreendedorismo e emprego e liderança juvenil.

Chama a atenção o número de jovens líderes com cegueira e com baixa visão que temos no mundo e o protagonismo que podemos exercer para melhorar o acesso a direitos básicos de pessoas marginalizadas, como é o caso dos jovens com deficiência.

O encontro demonstrou, inclusive, que as mulheres possuem uma presença forte em posições de liderança, já que muitas delas lideram iniciativas importantes em cada um dos seus países.

Também me orgulha saber que o Brasil foi um dos protagonistas na construção do evento. Sarah Marques atualmente representa a América Latina no comitê de jovens da União Mundial de Cegos. Ela é diretora da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), instituição da qual também sou secretário de juventude.

Eventos como esses são importantes porque nos conectam com pessoas com diferentes realidades, objetivos, propostas, desafios e desejos. Essa diversidade de visões de mundo pode ser a chave para pensarmos em soluções para incluir de verdade as pessoas com deficiência.

Enquanto jovens ativistas, é nosso dever trabalhar para a transformação social, com ações que deem mais oportunidades para que os jovens com deficiência possam se desenvolver em todos os âmbitos da sua vida.

Foi por este motivo também que nos reunimos, no dia 29 de maio, para construir um manifesto internacional da juventude com deficiência visual. Ele foi apresentado no encontro mundial. Trabalhei diretamente com o grupo que debateu a educação inclusiva.

O manifesto destaca a importância da Promoção da acessibilidade universal como ferramenta para a superação da pobreza. Queremos vidas dignas, com educação e empregos justos e oportunidades para desenvolver nossas habilidades, conhecimentos e metas, tanto pessoais como profissionais.

Para que isso aconteça, é necessário um esforço global para garantir a participação ativa de jovens com deficiência na formação de políticas inclusivas. Temos muito a contribuir. Ainda somos pouco ouvidos, mas tenho esperança de que essa realidade mude em breve.

Descrição da imagem: De costas, uma mulher branca olha para o notebook e faz um sinal de positivo com a mão, com o polegar levantado. Na tela, outras nove pessoas estão na reunião. O notebook é cinza, tem teclado preto e está no colo dela.

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