'O maior prejudicado desse apagão chama-se Josiel Alcolumbre', diz presidente do Senado sobre irmão

Julia Lindner e Natália Portinari
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Maryanna Oliveira / Câmara dos Deputados
Maryanna Oliveira / Câmara dos Deputados

BRASÍLIA — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou nesta quinta-feira que o seu irmão, Josiel (DEM), candidato à prefeitura de Macapá, foi "o maior prejudicado com o apagão" no Amapá, que chega hoje ao décimo dia. Na visão de Alcolumbre, Josiel ganharia a eleição em primeiro turno antes da crise no abastecimento de energia, que o fez cair nas pesquisas de intenção de voto e aumentar a rejeição. As declarações foram feitas em entrevista à rádio Diário FM.

— O maior prejudicado desse apagão chama-se Josiel Alcolumbre, que ia ganhar a eleição no primeiro turno, estava caminhando para ganhar em primeiro turno, e está hoje em primeiro lugar com praticamente do dobro do segundo. Se tem alguém que foi prejudicado desde o dia do acontecimento chama-se o candidato Josiel, porque está sendo agredido por todos os outros candidatos — disse Alcolumbre na entrevista.

Ontem, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou o adiamento da eleição em Macapá, que ocorreria no próximo domingo "até o restabelecimento regular da energia elétrica. O apagão já dura 10 dias e o fornecimento de energia tem funcionado por sistema de rodízio desde sábado.

A decisão do TSE pelo adiamento foi tomada poucas horas após a divulgação da pesquisa Ibope indicar queda de nove pontos percentuais de Josiel na disputa, que passou de 35% para 26% das intenções de voto. Ele ainda mantém a liderança, seguido de Patricia Ferraz (18%), Dr Furlan (17%), e João Capiberibe (13%).

Nesta quinta, Alcolumbre reclamou que adversários políticos que antes defendiam o adiamento do pleito agora tentam acusá-lo de ter pedido a mudança devido ao resultado do irmão na pesquisa.

— Aqueles adversários que em outro momento pediam o adiamento da eleição, utilizam agora agressões constantes dizendo que o senador Davi Alcolumbre falou com o presidente do TSE para adiar a eleição por conta de uma pesquisa. É inacreditável — disse Alcolumbre.

Além da queda na intenção de voto, a fatia de eleitores que não votariam de jeito nenhum em Josiel Alcolumbre aumentou de 27%, no último Ibope no fim de outubro, para 36% na sondagem divulgada nesta quarta-feira. Opositores vêm reproduzindo o discurso de que um estado cujo maior representante é presidente do Congresso Nacional não poderia ter ficado no escuro por quatro dias, aguardando uma solução.

O apagão total no Amapá durou de terça a sábado da semana passada e paralisou a atividade de hospitais, além de acabar com o fornecimento de água e comida da cidade. A morte de um jovem por asfixia após uso de um gerador de energia está sendo investigada. A população ficou sem combustível e os estoques dos supermercados foram esvaziados.

Em outros momentos da entrevista, Alcolumbre reconheceu a magnitude da crise e comparou o apagão a um "tsunami" que atingiu o Estado.

— Naquelas (primeiras) quase 80 horas sem energia as pessoas ficaram revoltadas e indignadas com o descaso e com a impossibilidade de garantir os seus produtos, comerciantes perderam os seus produtos, a população perdeu os seus alimentos, e, de fato, foi um tsunami que aconteceu no Amapá e prejudicou quase que 750 mil pessoas — disse.

O presidente do Senado também tentou reforçar diversas vezes que agiu desde o início junto ao governo federal para solucionar o problema. Ele também tentou rebater críticas contra alguns de seus aliados, como o governador Waldez Goes e o atual prefeito de Macapá, Clécio Luis. Para Alcolumnbre, eles não tem "nada a ver" com o episódio.

— Como presidente do Senado, eu sei a importância desse espaço político para resolver problemas no Amapá e nós estamos resolvendo. Agora, transferir isso para o processo eleitoral onde o Prefeito Clecio não tem nada a ver com isso, nosso candidato Josiel não tem absolutamente nada com isso, o próprio governador não tem absolutamente nada com isso — declarou Alcolumbre.