O papa encerra viagem ao Canadá no Ártico

O papa Francisco segue nesta sexta-feira (29) para Nunavut, no Ártico canadense, a escala final de sua viagem para pedir perdão pelos abusos a crianças indígenas em internatos da Igreja Católica.

O pontífice de 85 anos pronunciará um discurso em Quebec antes de viajar a Iqaluit, capital e maior cidade do vasto território Nunavut.

O santo padre se reunirá pela primeira vez com sobreviventes de escolas que abrigavam crianças indígenas retiradas de seus pais e obrigadas a abandonar seu idioma e cultura nativos.

Em seguida, o papa participará de um evento público do povo Inuit.

"Não resolverá nada, mas um pedido de desculpas significa muito para nós", disse à AFP Elisapee Nooshoota, da comunidade de Iqaluit, que formam umas 7.000 pessoas.

Desde o final do século XIX até a década de 1990, o governo do Canadá enviou de maneira forçada cerca de 150 mil crianças indígenas a internatos sob responsabilidade da Igreja Católica. Muitas sofreram abusos físicos e sexuais e acredita-se que milhares morreram de desnutrição, doenças, maus tratos e negligência.

Ao iniciar sua visita ao Canadá na segunda-feria, o papa pediu publicamente desculpas pelos abusos.

- "Deveriam estar fazendo mais" -

Muitos sobreviventes disseram que esse pedido de perdão foi alentador, mas para outros foi apenas o começo de um processo de cura e reconciliação.

"Deveriam estar fazendo mais com orientação, centros de bem-estar, de recuperação", disse a moradora de Iqaluit, Israel Mablick, de 43 anos e sobrevivente de uma dessas escolas.

Outros afirmaram que o papa não mencionou expressamente os abusos sexuais contra crianças das Primeiras Nações, inuits e métis e em Iqaluit vários advertiram o mesmo.

Francisco não "reconheceu o papel institucional da Igreja Católica Romana na proteção dos abusadores", disse Kilikvak Kabloona, diretora de uma organização inuit em Nunavut.

"Essa proteção permite que cresça a violência sexual e esperamos uma desculpa pelos abusos sexuais", disse.

Espera-se também que seja solicitado ao papa que se ocupe do caso do sacerdote fugitivo francês Johannes Rivoire, de 93 anos, acusado de abusar de crianças inuits em Nunavut, antes de ir para a França.

Este ano, a polícia do Canadá emitiu uma nova ordem de prisão contra ele e uma delegação da comunidade inuit pediu a Francisco que intervenha.

"O papa é o líder da Igreja Católica e (...) pode pedir que Rivoire responda às acusações", dijo Kasbloona.

O líder espiritual de 1,3 bilhões de fiéis começou na segunda-feira sua viagem de seis dias no oeste do Canadá, locomovendo-se principalmente de cadeira de rodas, devido a problemas em seu joelho direito.

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