O papa que viajava

Foto: Flickr/ City of Boston Archives

Nascido em 18 de maio de 1920, o polonês Karol Józef Wojtyla teve o terceiro maior pontificado da história da Igreja Católica. Papa João Paulo II comandou a instituiçãoo por exatos 26 anos, 5 meses e 17 dias.

Caçula de três filhos, Karol teve uma infância muito ligado aos esportes. Gostava de futebol e geralmente atuava como goleiro. Na juventude, ele também se destacaria como ator teatral e dramaturgo.

Quando a Alemanha Nazista invadiu a Polônia, Karol se viu obrigado a trabalhar. Atuou tanto como mensageiro em um restaurante quanto como operário em uma mina de calcário – tudo para evitar ser deportado para a Alemanha.

Após a morte de seu pai, em 1941, ele passou a considerar o sacerdócio. Acabaria ordenado padre cinco anos mais tarde.

Aos poucos, Karol foi galgando posições na hierarquia católica. Em 1958 foi nomeado bispo-auxiliar de Cracóvia – aos 38 anos, se tornava o mais jovem bispo da Polônia.

Em 1962, foi um dos participantes do célebre Concílio Vaticano II. Dois anos mais tarde, foi elevado arcebispo de Cracóvia. Em 1967, o papa Paulo VI o nomeou cardeal.

Karol Wojtyla se tornaria João Paulo II em 1978. Aos 58 anos, o jovem papa era o primeiro não-italiano em 455 anos. A juventude fez dele um incansável viajante: até o fim de seu pontificado, com sua morte, em 2005, ele visitou 129 países diferentes – só ao Brasil, veio quatro vezes; três oficiais e em uma, quando ia para a Argentina, acabou discursando no aeroporto, enquanto aguardava sua escala.

João Paulo II quebrou um costume secular, o de que papas não se deslocavam do Vaticano. Assim, ele se aproximou dos fiéis.

Seu pontificado ficaria marcado pelo diálogo inter-religioso e pela rigidez com os princípios morais. Suas viagens internacionais ficaram marcadas por episódios diplomáticos – como quando intermediou o conflito entre Chile e Argentina pelo Canal de Beagle; ou quando, em Cuba, a Igreja voltou a dialogar com o governo de Fidel Castro – e encontros polêmicos com ditadores, do chileno Augusto Pinochet ao haitiano Baby Doc.

Tanta exposição fariam dele uma vítima. Em 13 de maio de 1981, quando entrou na Praça São Pedro para discursar, o papa foi baleado e gravemente feriado por Mehmet Ali Agca, um atirador turco, militante fascista.

Apesar de se recuperar da tentativa de assassinato, o passar dos anos foi revelando ao mundo um papa cada vez mais debilitado. Ele tinha doença de Parkinson. João Paulo II morreu em 2 de abril de 2005.

O processo de sua canonização daquele papa que fez 483 santos – mais do que todos os seus predecessores juntos pelos cinco séculos passados – foi mais rápido que o normal. Seu sucessor, Bento XVI, ignorou a restrição normal que manda aguardar cinco anos após a morte para iniciar um processo de beatificação. O trâmite foi declarado aberto em 28 de junho de 2006.

João Paulo II foi proclamado venerável em 19 de dezembro de 2009. Bento XVI o declarou beato em 1o. de maio de 2011. Em 27 de abril de 2014, em cerimônia celebrada pelo papa Francisco e pelo papa emérito Bento XVI, João Paulo II tornou-se São João Paulo II.