O papel da mulher na sociedade, acesso à internet e textos inéditos: o que caiu no Enem 2022

A prova do Enem 2022 trouxe um número considerável de questões sobre o papel da mulher na sociedade, questionamentos sobre feminicídio e levou os estudantes a reflexões sobre a democratização do acesso à internet. Temas esperados no exame, como a pandemia da Covid-19 e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, no entanto, tiveram pouco espaço. A avaliação é da professora Karoline Mariane Barreto, assessora do Sistema Positivo de Ensino, que fez a prova.

— A prova deste ano trouxe muitos textos recentes. Mas, houve pouca abordagem sobre a pandemia. No que diz respeito ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia, apenas uma questão era adjacente, com uma abordagem sobre o território da Criméia. Na área das ciências humanas, me chamou atenção a abordagem sobre o acesso das crianças à internet e a desigualdade de acesso ao mundo virtual. Também houve muitas questões sobre o papel da mulher na sociedade e feminicídio — conta ela, que deixou o exame ás 15h30, sem levar a prova.

Guilherme Freitas, professor de história das Escolas SEB, destaca alguns pontos da prova de humanas

— A grande questão é da prova de humanas é referente à uma indagação sobre “o que é o estado de direito" , que questionava o que seria considerado uma violação do estado de direito. A resposta certa, neste caso, é o ato de não reconhecer o resultado das eleições de representantes políticos. A princípio essa seria uma das questões mais importante devido ao atual momento político — explica.

Redação sobre povos tradicionais

O tema da redação do Enem 2022 é "Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil". A informação foi anunciada pelo ministro da Educação Victor Godoy nas redes sociais, após a prova ter início às 13h30.

Segundo Marina Rocha, professora de Redação da Plataforma AZ, o tema abarca comunidades indígenas, quilombolas e populações ribeirinhas, o que pode torná-lo díficil para os estudantes.

— A gente está falando de uma série de manifestações culturais de povos brasileiros bem diferentes entre si, que se localizam em diferentes regiões, e por estarem inseridas em lógicas próprias, muitas vezes precisam de algum tipo de política específica — explica.