'O Peru é do povo': jogadores da seleção intervêm na crise política do país

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Renato Tapia comemora um gol pelo Peru em partida contra o Brasil válida pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, 13 de outubro de 2020 em Lima

'O Peru é do povo': jogadores da seleção intervêm na crise política do país

Renato Tapia comemora um gol pelo Peru em partida contra o Brasil válida pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, 13 de outubro de 2020 em Lima

"O Peru é do povo e não dos políticos", declarou o jogador da seleção peruana Renato Tapia, que, como outros atletas convocados, decidiu apoiar os protestos contra o novo governo de Manuel Merino.

"(Que) o povo peruano ganhe forças para levar isso adiante, considerando que nossa voz tem que ser sentida. Se não for agora, quando será? O Peru é do povo e não dos políticos", escreveu Tapia, jogador do Celta de Vigo espanhol, no Instagram.

"O que está acontecendo me dói muito", afirmou o meia Edison Flores, do D.C. United, dos Estados Unidos, que ilustrou a mensagem postada no Instagram com um panfleto criticando o "perfil" do novo presidente Merino.

"A classe política está desacreditada no país e nossos irmãos sofrem com as más decisões", destacou o lateral-esquerdo Miguel Trauco, ex-Flamengo e hoje no Saint-Etienne, da França, nas redes sociais.

Tapia, Flores e Trauco estão em Santiago com a seleção peruana, que enfrenta o Chile nesta sexta-feira pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo do Catar-2022.

Da concentração da seleção peruana, os jogadores acompanham de perto a crise desencadeada em seu país após a destituição relâmpago do popular presidente Martín Vizcarra e a posse de Merino como novo presidente.

"Somos um povo que durante muito tempo se calou... Mas acima de tudo, foi esquecido. É hora de dizer basta. Não podemos deixar que pessoas que não nos representam nos governem e acima de tudo queiram fazer do nosso país, da nossa pátria, um negócio", disse Tapia.

- Chamado ao protesto pacífico -

Reflexo da baixa popularidade dos políticos peruanos, um ex-jogador de futebol lidera as pesquisas para as eleições presidenciais de abril: George Forsyth, ex-goleiro do popular clube Alianza Lima e que chegou a disputar as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010.

Forsyth disse que a destituição de Vizcarra foi um "golpe disfarçado", uma visão compartilhada por milhares de peruanos que têm saído às ruas diariamente para protestar desde terça-feira.

O atacante Paolo Guerrero, que atua no Internacional, mas está afastado dos gramados devido a uma grave lesão, também se pronunciou: “Meus melhores votos ao meu país e a todos vocês que hoje enfrentam a incerteza da covid-19 e a instabilidade política. Força, meu povo", pediu o principal jogador da seleção peruana.

"Rezo por minha pátria e que os políticos ouçam e entendam os sentimentos do povo peruano. Manifeste-se pacificamente, não à violência", disse o meia Christian Cueva, ex-São Paulo e que hoje atua noYeni Malatyaspor turco.

O atacante Jefferson Farfán, outro pilar da seleção peruana, mas que não foi convocado por lesão, pediu aos compatriotas que não desistam.

“Não vamos parar de lutar, nunca vamos parar de acreditar que todos juntos poderemos fazer o Peru seguir em frente apesar das adversidades”, afirmou.

De forma mais comedida, o técnico do Peru, o argentino Ricardo Gareca, defendeu que "paz e tranquilidade" sejam mantidas no país andino.

"É importante que o Peru tenha uma unidade nacional, espero que a paz e a tranquilidade possam reinar", disse Gareca em entrevista coletiva na quarta-feira, antes de viajar ao Chile.

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