O presente que Aisha quer dar quando a filha Ayla fizer seis meses: um fígado

Aisha Gomes, de 18 anos, quer presentear a filha com parte de seu fígado quando a filha tiver seis meses de vida. Ayla, de 5 meses e 24 dias, precisa de um transplante urgente. Após serem transferidas na véspera de Natal, por uma avião da FAB para o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus em São Paulo, elas ainda vivem com o medo de os órgãos não serem compatíveis.

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Aisha conta que nunca imaginou que a filha pudesse nascer com algum problema de saúde. Na maternidade ela teve infecção generalizada. Após a alta, a mãe pensou que a filha nunca mais precisaria de internação. Mas ela começou a perceber que o olho da menina ficou amarelo.

A mãe procurou um hospital e foi quando se iniciou uma série de investigações sobre a saúde da criança. O diagnóstico de Ayla veio quando ela tinha apenas 3 meses: cirrose gravíssima no fígado. A criança foi internada em Brasília, e no dia 23 de novembro, após uma nova consulta, a mãe foi informada de que Ayla precisava fazer o transplante com urgência.

— Os médicos já estavam nos preparando desde os primeiros exames para o momento que ela pudesse precisar fazer um transplante. Apesar disso, a gente sempre tem esperança de que não vai ser necessário. Foi complicado quando tivemos a notícia. Mas tive que me manter forte e calma por ela, tive medo de ficar abalada demais e isso refletir na minha produção de leite, que ainda é o principal alimento dela — relatou a Aisha.

O transporte das duas precisou ser feito pela FAB diante da complexidade e urgência. A secretária de Saúde do Distrito Federal, Lucilene Queiroz, foi quem recebeu o pedido do Hospital da Criança de Brasília e logo entrou em contato com o secretário-chefe da Casa Civil para conseguirem um transporte rápido e com o suporte para um caso de UTI.

— Fizemos uma força-tarefa para que a pequena Ayla pudesse ter o transporte até São Paulo. O secretário da Casa Civil contactou o Ministro da Justiça, que conversou com o chefe da Advocacia-Geral da União, dando apoio com o Comando da Aeronáutica — detalhou Lucilene.

Mãe e filha chegaram na capital paulista por volta da 1h30 de 25 de dezembro e foram para o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus. As duas estão passando por uma bateria de exames para saber se a jovem está apta para ser a doadora. Aisha não consegue conter a ansiedade que sente na expectativa de que uma parte sua poderá salvar a vida da filha. A expectativa é de que a cirurgia seja realizada na próxima semana, quando a menina completará 6 meses.

— Eu estou com medo. A situação dela é grave e de muito risco. A expectativa é de que eu seja compatível. Se não for, vamos ter que avaliar pessoas da família ou entrar na fila para esperar um doador que não seja parente. Isso me causa muita aflição — conta a mãe. A jovem acrescenta que mesmo com medo, se sente feliz em saber que a filha está nas mãos de médicos especialistas e que o SUS está proporcionando um bom atendimento à Ayla.

— Eu não tenho do que reclamar. Minha filha tem tido acompanhamento em todos os momentos. Precisamos ser transportadas de um estado ao outro em uma noite de feriado esperado por todos, mas não tive medo de que não conseguíssemos. Tinha fé de que iríamos contar com algum meio, que o pessoal do hospital iria nos ajudar — finalizou.