'O primeiro movimento já é a Cedae', diz Guedes sobre programa de privatizações

Marcello Corrêa e Manoel Ventura
·2 minuto de leitura

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira que a privatização da Cedae fará parte de um esforço do governo federal para acelerar o processo de desestatização no país.

Segundo o ministro, a companhia já deveria ter sido vendida. Guedes afirmou que o BNDES e a secretaria de Desestatização serão responsáveis por coordenar a iniciativa, mas não deu detalhes sobre o andamento dos trabalhos.

— Nós temos que avançar com nosso programa (de desestatização) aqui. Tanto o BNDES, que é o braço operacional, como a secretaria de Desestatização, têm uma missão de acelerar isso. O primeiro movimento já é a Cedae. É um caso típico de água e saneamento, empresa quebrada, povo sem água e sem esgoto, rolando uma dívida enorme. O estado em recuperação fiscal e com aquele ativo lá, que já poderia ter sido privatizado — disse o ministro, durante evento da Controladoria-Geral da União.

Na segunda-feira, a Justiça derrubou trecho de uma lei que proibia a privatização da Cedae. No fim de outubro, o governador do Rio em exercício, Claudio Castro, disse que o governo estadual poderia reconsiderar a venda da companhia. A operação fez parte do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), mas nunca foi à frente.

'Estou bastante frustrado', diz Guedes sobre dificuldade em privatizações

Durante o evento, o ministro se queixou de não ter vendido mais empresas estatais e lembrou que esse foi um dos motivos que causaram a saída do ex-secretário de Desestatização, Salim Mattar.

— Estou bastante frustrado com o fato de a gente estar aqui há dois anos e não ter conseguido vender uma estatal. É bastante frustrante — afirmou Guedes.

Segundo o ministro, o novo titular da pasta, Digo Mac Cord, só precisa "fazer um gol" para se sair melhor que o antecessor:

— Ele só tem que fazer um gol para ganhar. O outro ficou no zero, não fizemos nada

Guedes reclamou ainda que haveria acordos políticos para travar privatizações. Até agora, o governo encaminhou ao Congresso apenas a venda da Eletrobras. Outras propostas, já anunciadas não foram enviadas aos parlamentares, como as privatizações dos Correios e da PPSA.

— Nós devemos essa democracia à transformação do Estado. Essa missão está acima da política partidária, que inclusive impediu que nós avançarmos. Acordos políticos impedindo as privatizações e um governo liberal democrata que foi eleito e falou o tempo inteiro que ia privatizar. Aí tem acordo político na Câmara e no Senado que não deixa privatizar. Que história é essa?