'O problema não é de quem treme, é de quem vê': empresário reúne relatos de quem descobriu ter Parkinson ainda jovem

Depois de mudar radicalmente sua rotina, escrever dois livros sobre o mal de Parkinson e começar a ministrar palestras sobre inclusão, diversidade e como ressignificar a vida, o executivo Guto Pedreira, de 58 anos, morador do Jardim Oceânico, lançou o documentário “Hoje não, a vida tem que seguir”, que trata da doença. O projeto nasceu há um ano, quando Guto procurou a documentarista Angela Zoe para tirar seu sonho do papel.

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— Estava ficando muito incomodado por pessoas diagnosticadas com Parkinson sentirem tanta vergonha disso. Muitas não saem de casa por tremerem, andarem de forma diferente. Eu precisava fazer algo. Resolvi contar histórias de vida e de pessoas com menos de 60 que descobriram ter a doença. E a melhor maneira seria um filme — conta.

Guto captou a verba para o projeto com parentes e amigos. Chegou a procurar empresas farmacêuticas responsáveis por um medicamento contra a doença e médicos, mas não houve interesse. No documentário, ele dá seu próprio depoimento e reúne outras cinco pessoas, de diferentes cidades, faixas etárias e classes sociais, com o mal de Parkinson em diferentes estágios.

— É importante mostrar que mesmo com todas as complicações essas pessoas conseguem levar a vida numa boa. Também abre os olhos para os que estão ao redor saberem de sua importância nesse processo. É possível ajudar e apoiar. O problema não é de quem treme, é de quem vê —diz.

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Um dos objetivos foi mostrar que o diagnóstico muda a vida, mas é preciso seguir em frente. Além de revelar a forma como os personagens lidam com o problema, há a visão de especialistas.

— A ideia nasceu em junho e em setembro começamos as gravações com uma equipe muito gabaritada de cinema. Quero desmistificar a doença. Ela não é um mal, é só a diminuição da dopamina no cérebro. Olham para a gente com pena e acham que estamos à beira da morte. É um preconceito muito claro — afirma. — O Parkinson não mata, não é o fim da vida. O grande problema é a falta de conhecimento.

O documentário, lançado em abril, tem até agora 11 mil views, e a expectativa é chegar a um milhão de espectadores. Guto conta que recebe mensagens de espectadores dizendo que o filme fez com que se sentissem representados e lhes deu coragem para saírem de casa.

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O empresário não nega que a doença seja cruel, mas destaca que é necessário aprender a conviver com ela:

— Hoje eu sou uma pessoa muito melhor do que eu era, me sinto completo e valorizo as pequenas coisas da vida. Se eu posso me ajudar, por que não ajudar também outras pessoas?

Ele pretende ainda fazer um filme mais técnico e criar um podcast, ambos a partir do olhar de quem tem a doença. O documentário está disponível no site movimentoaleatorio.com.br.

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