O processo de Scarlett Johansson contra a Disney pode mudar as regras do jogo em Hollywood

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Neste ano, a chegada dos grandes lançamentos dos estúdios de Hollywood é especialmente aguardada, como um termômetro de como o setor vai se recuperar após a pausa de 2020 causada pelo coronavírus. No entanto, o grande evento que está abalando os alicerces de Hollywood deve acontecer não nos cinemas, mas nos tribunais: a disputa judicial que a atriz Scarlett Johansson iniciou na semana passada contra a Disney. Em tempos de rápida transformação das plataformas digitais e estúdios, o conflito põe sob os holofotes as tensões entre grandes produtoras e suas estrelas, e seu desfecho pode mudar para sempre as regras do jogo na indústria.

'Prejuízo' de US$ 50 milhões

No processo, a protagonista do último filme da Marvel, "Viúva Negra", alega que seu contrato foi violado com o lançamento do filme no serviço de streaming Disney+, que aconteceu no mesmo dia da estreia nas salas de cinema. Segundo os advogados de Scarlett Johansson, seu acordo com a Marvel Entertainment, da Disney, garantia um lançamento exclusivo no cinema, e seu salário se baseava em grande parte no desempenho de bilheteria do filme. Com a estreia na plataforma, a atriz estima que tenha deixado de ganhar US$ 50 milhões adicionais.

Resposta dura da Disney

A Disney respondeu à denúncia de forma contundente, afirmando que o processo é “especialmente triste e angustiante em seu desrespeito cruel pelos terríveis e prolongados efeitos globais da pandemia Covid-19”. O conglomerado, que obteve um lucro de US$ 65 bilhões em 2020, também revelou que a atriz já recebeu US$ 20 milhões pelo trabalho em "Viúva Negra" e alegou que a estreia digital renderá mais dinheiro para Johansson.

O tom usado pela Disney prepara o cenário para o que será o confronto no tribunal. Especialmente porque contrasta com o entusiasmo do início de julho, após a estreia de Viúva Negra, que representou um lucro de bilheteria de US$ 215 milhões em todo o mundo em seu primeiro fim de semana. Destes, US$ 60 milhões foram coletados exclusivamente pela Disney +, que cobrava de seus assinantes US$ 30 a mais para ver o filme. Analistas estimam que o longa-metragem alcance cerca de US$ 500 milhões.

Onda de processos

O caso gerou reações imediatas no setor. Artistas como Alec Baldwin manifestaram apoio à atriz nas redes sociais e criticaram a posição dos executivos. Dois dias após o processo de Scarlett ser levado ao Tribunal Superior de Los Angeles, o ator Gerard Butler também abriu uma ação contra a produtora Nu Image / Millennium Filmes, alegando não ter recebido tudo que foi combinado pelo filme "Invasão à Casa Branca", lançado em 2013. Butler denuncia que os diretores da empresa não declararam todos os rendimentos que o filme alcançou, estimados em US$ 172 milhões. Segundo os cálculos de um auditor contratado pelo artista, os lucros não declarados representariam um cachê de US$ 10 milhões adicionais.

O movimento iniciado pela protagonista de “Viúva Negra” pode encorajar outros artistas a apresentar queixas semelhantes e torná-las públicas nos próximos meses. De acordo com o jornalista Matt Belloni, ex-editor do "The Hollywood Reporter", Emma Stone estaria cogitando fazer o mesmo por "Cruella", lançado em maio. E não para por aí. "Jungle Cruise", lançado nos cinemas e no streaming do Disney+ na última sexta-feira (30), é outro que pode acabar nos tribunais, já que uma das protagonistas da aventura, Emily Blunt, também estaria analisando a questão.

Futuro da indústria

As principais empresas de mídia têm priorizado seus serviços de streaming em busca de crescimento e estão cada vez mais inserindo conteúdos com alto custo de produção nessas plataformas. A Disney começou a lançar filmes simultaneamente no Disney+ e nos cinemas em parte por causa da pandemia de Covid-19, quando os cinemas estavam fechados ou com capacidade limitada, e em parte para impulsionar seu catálogo no novo serviço.

A estratégia também foi adotada por outros estúdios, que passaram a oferecer suas apostas mais valiosas em suas plataformas. Na vanguarda desse movimento está a WarnerMedia, que opera o serviço de streaming HBO Max, e recentemente decidiu renegociar muitos de seus contratos que estavam vinculados ao desempenho de bilheteria, beneficiando estrelas como Denzel Washington, Gal Gadot e Will Smith. O processo para preparar o caminho para a produção digital custou à empresa US $ 250 milhões com a alteração dos contratos. Resta saber se Scarlett Johansson pode torcer o braço de um gigante.

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