O que é bacteremia, que levou o ex-presidente Lula a ser internado

Camilla Veras Mota - @cavmota - Da BBC News Brasil em São Paulo
·3 minuto de leitura
Bactéria
Tratamento é feito com antibióticos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu alta na terça (09/02) após ter sido internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, com um quadro de bacteremia, a presença de bactérias no sangue.

Conforme o boletim médico divulgado pela instituição, ele deu entrada no sábado (06/02) e foi tratado com antibióticos por via venosa.

Não foram divulgados detalhes sobre o quadro do ex-presidente e não há informações se o diagnóstico tem alguma relação com o fato de o ex-presidente ter tido uma broncopneumonia recentemente, associada à covid-19.

Em 21 de janeiro, Lula comunicou que descobriu ter sido infectado pelo novo coronavírus quando estava em Cuba em dezembro. Em comunicado, afirmou que não precisou ser internado, que fez a quarentena no país e estava curado.

Bactéria Clostridium difficile
Evolução do quadro pode levar a infecção generalizada

Como se desenvolve uma bacteremia?

O infectologista do Hospital Oswaldo Cruz Filipe Piastrelli explica que a bacteremia acontece principalmente de duas formas.

Quando há uma ruptura da barreira de proteção do sistema circulatório, como a pele ou uma mucosa, e bactérias que estão na superfície - sejam aquelas que já estão em nosso organismo como colonizadoras ou não - conseguem migrar para a corrente sanguínea.

Isso pode acontecer durante um procedimento odontológico ou em ambiente hospitalar, em pacientes com acesso vascular, com cateter, por exemplo.

Essa é a bacteremia primária, quando não há uma outra fonte de infecção.

A bacteremia secundária, por sua vez, é decorrente de outra infecção pré-existente. "Uma infecção urinária ou uma pneumonia que não é bem controlada e consegue extrapolar o tecido e chegar na circulação", exemplifica Piastrelli.

Uma vez na corrente sanguínea, a bactéria pode se deslocar pelo corpo, se alojar em outros tecidos e causar infecções graves, como a meningite meningocócica ou a endocardite.

O risco, ele explica, depende de pelo menos três fatores: a virulência da bactéria (ou seja, seu potencial de agressividade), a quantidade de bactérias que efetivamente caem na circulação e a imunidade da pessoa afetada.

Assim, pacientes com sistema imunológico debilitado podem estar mais suscetíveis.

Sistema imunológico
Em alguns casos, sistema imunológico consegue combater sozinho as bactérias - é o caso da bacteremia transitória

Sintomas

Os sintomas mais recorrentes são febre, sensação de calafrios e mal-estar.

Nos casos em que o quadro piora e evolui para a sepse - uma resposta inflamatória do corpo a uma infecção -, o paciente também pode apresentar queda da pressão arterial, aumento da frequência respiratória e alteração da frequência cardíaca.

Piastrelli afirma que a bacteremia pode ser uma complicação possível da covid-19, mas ressalta que as infecções bacterianas secundárias em casos da doença causada pelo novo coronavírus ficam em torno de 20%. "Dentro disso, a bacteremia é (um percentual) ainda menor", diz o médico.

Tratamento

Em alguns casos, o próprio sistema imunológico consegue combater a bactéria antes que ela cause infecção - é o caso da bacteremia transitória.

Caso contrário, o tratamento é feito com antibióticos.

Para descobrir qual medicamento é mais adequado, a equipe médica em geral investiga qual tipo de bactéria está presente no sangue do paciente.

A pesquisa é feita por meio da hemocultura, em que uma amostra do sangue é colocada em um meio apropriado para o crescimento de bactérias e passa por uma incubação no laboratório de microbiologia.

A prescrição do antibiótico, entretanto, é feita antes da divulgação do resultado do exame, que leva alguns dias. Normalmente, ele começa a ser administrado e posteriormente, caso haja necessidade conforme o tipo de bactéria, é ajustado.

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