O que é margem de erro e como ela funciona nas pesquisas eleitorais

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - As eleições federais e estaduais se aproximam e com elas surge uma enxurrada de pesquisas eleitorais, que tornam corriqueiro o uso de conceitos como amostragem, margem de erro, intervalo de confiança e empate técnico. Mas o que significam esses termos?

Existem duas formas de coletar informações para entender o comportamento de uma população de forma quantitativa: entrevistar todos os seus indivíduos, o que chamamos de censo, ou selecionar uma parcela deles que represente as características mais importantes do conjunto, a amostragem.

No caso da amostragem, método normalmente usado nas pesquisas eleitorais, os resultados obtidos são então "extrapolados" para o universo de todos eleitores, num processo conhecido como "inferência estatística".

Nesse processo, dois tipos de erro podem acontecer. Quanto mais se conseguir minimizar esses erros, mais a pesquisa será representativa da realidade.

O primeiro é o erro não amostral, ou seja, que não está relacionado à amostra e pode acontecer em várias etapas do levantamento ou do censo. Ele engloba problemas na formulação das perguntas, dificuldade de entendimento dos entrevistados, obstáculos para atingir todos os segmentos etc.

Esse tipo de erro se compara a uma balança quebrada --mesmo que se conseguisse pesar todos os indivíduos da população com essa balança, o resultado incluiria falhas causadas pelo instrumento. Essas falhas não são mensuráveis e podem ser reduzidas através de boas práticas de quem faz a pesquisa.

O segundo é o erro amostral, também conhecido como margem de erro. Se há uma amostra, necessariamente há uma margem de erro atrelada a ela. Em outras palavras, ela é a diferença tolerada entre o valor medido pela pesquisa e o "verdadeiro" valor que se quer medir.

Essa margem é definida quando os estatísticos planejam o tamanho da amostra que vão utilizar no levantamento. Quanto menor é a margem de erro que eles desejam, maior deve ser a quantidade de entrevistados para alcançá-la.

O intervalo formado pelos valores máximo e mínimo da margem de erro, então, é chamado de intervalo de confiança. Como os resultados de uma pesquisa nunca são números exatos, e sim estimativas, eles devem ser interpretados dentro desse intervalo.

Quando se diz que o nível de confiança de um estudo é de 95% (valor mais comum em pesquisas de opinião), isso significa que, de uma forma simplificada, se 100 amostras fossem retiradas simultaneamente de uma mesma população, 95 delas teriam seus resultados dentro do intervalo de confiança.

Portanto o que é o empate técnico? Ele ocorre quando a diferença entre os candidatos se encontra dentro das margens de erro da pesquisa, ou seja, quando os intervalos de confiança se sobrepõem.

O mesmo princípio é seguido para interpretar os dados da evolução de um mesmo candidato ao longo do tempo. Se, de um mês para o outro, suas intenções de voto variaram dentro das margens de erro, dizemos que ele apenas oscilou.

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