O que acontece quando nossa 'capacidade de stress' se esgota no trabalho

Finanças Internacional
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Stay at home father feeling stressed while baby sitting and trying to work while his small daughter is using his laptop.
Stay at home father feeling stressed while baby sitting and trying to work while his small daughter is using his laptop.

Por Lydia Smith

Mesmo quem lida bem com o estresse no trabalho pode ver as coisas saírem do controle. Caixas de entrada que costumam estar sempre controlada de repente são inundadas com mensagens não lidas e e-mails não respondidos, e prazos começam a ser perdidos. As mensagens do chefe disparam desejos de jogar o laptop pela janela.

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Se já era comum passar por situações de estresse no trabalho, no cenário atual, isso passou a ser a norma. Não é nenhuma surpresa que a pandemia de Covid-19 tenha catapultado os níveis de ansiedade, afetando todos os aspectos da vida — da saúde aos relacionamentos e trabalho. Para muitas pessoas, conforme o tempo passa, a situação torna-se ainda mais intolerável.

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"Há alguns meses, o mundo virou de cabeça para baixo e transformou-se de maneiras que nunca poderíamos imaginar", comenta Kirsty Lilley, especialista em saúde mental na CABA, instituição beneficente de bem-estar. "Muita gente foi forçada a reorganizar suas vidas e a administrar situações pessoais e profissionais altamente complexas."

"Nos primeiros meses, é provável que tenhamos conseguido suportar a situação fazendo uso da chamada 'capacidade de pico', termo cunhado por Anne Masten, psicóloga e professora de desenvolvimento infantil da Universidade de Minnesota."

A capacidade de pico é o conjunto de sistemas adaptativos — mentais e físicos — que permitem a sobrevivência, por um curto período de tempo, em situações de estresse extremo, como no caso de desastres naturais.

"Desastres naturais, no entanto, mesmo que a recuperação seja lenta, têm curta duração", afirma Lilley. "Com a pandemia é diferente, o desastre estende-se indefinidamente. Quando a capacidade de pico se esgota, precisa ser renovada. Mas como renová-la em um cenário no qual a fase de emergência deixou de ser passageira e tornou-se crônica?"

Não se sabe quando e se tudo voltará ao cenário de normalidade pré-Covid, nem como o ambiente profissional será no futuro. Todas essas incertezas, somadas à perda de entes queridos, à insegurança da empregabilidade e à crescente segunda onda de contágios, afetam a resiliência e a capacidade das pessoas de suportar a situação. Basicamente, é duro manter o barco navegando quando a maré baixa parece não ter fim.

"Quando o nível de estresse aumenta demais, podemos vir a desenvolver uma mentalidade binária, onde tudo é preto e branco, o que pode tornar ainda mais desafiador ser flexível e criativo para contornar as dificuldades", diz Lilley. "E focar em permanecer completamente racional quando nada parece fazer sentido pode causar ainda mais estresse."

Uma possibilidade para combater isso é adotar um conceito mental de "isso, aquilo e mais isso", que exige aceitar mais o que pode parecer irracional.

"No nível pessoal, isso pode se traduzir como uma compreensão do tipo: 'Eu sou uma pessoa competente, mas há dias em que me falta motivação e não tenho certeza de como seguir adiante'. O modo como encaramos a realidade da pandemia nos ajudará a enfrentar melhor a situação", acrescenta ela.

Permita-se dar um tempo

As coisas estão difíceis no momento, isso dispensa comentários. Mesmo quem mantém uma rotina relativamente normal pode ter seus níveis de estresse aumentados pela avalanche constante de más notícias.

É mais fácil falar em reservar um tempo para si do que fazer isso, especialmente quando há preocupação com o futuro profissional. Mas é muito mais provável alcançar engajamento e produtividade mantendo-se relaxado.

"Temos que exigir menos de nós mesmos e nos revigorar mais", afirma Lilley. "Podemos ver isso como um período de autodescoberta: qual é a minha fonte de energia? Que tipo de descanso e quanto tempo de recuperação eu preciso?"

"Muitos desses elementos se alteraram e pode ser preciso algum tempo de reflexão e espaço para absorver o fato de que o ritmo de vida mudou. É preciso focar no que você precisa agora para seguir adiante."

Crie uma "poupança de resiliência"

Em tempos de crise, contar com uma rede de suporte é uma das maneiras mais importantes para gerar uma carga de resiliência. Por isso, é importante não perder o contato com a família, amigos e colegas, e garantir que o estresse não se acumule por dentro. É muito provável que as pessoas próximas estejam passando pelo mesmo.

Cuidar de si mesmo é fundamental. Quando tudo parecer impossível de suportar, tirar um tempo do trabalho é importante. "A ideia de uma 'poupança de resiliência' consiste em formar gradativamente práticas regulares que promovem a resiliência na sua vida e fornecem um canal de retroalimentação para quando as coisas ficarem difíceis", afirma Lilley. "Áreas que são especialmente importantes são a qualidade do sono, nutrição, exercícios, meditação, autocompaixão, gratidão, conexão com as pessoas e saber dizer não, além de manter os limites da vida pessoal e profissional."

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