O que diriam os ingleses, hoje livres de Boris Johnson, sobre regabofes de Bolsonaro?

British Prime Minister Boris Johnson makes a statement at Downing Street in London, Britain, July 7, 2022. REUTERS/Henry Nicholls
O (agora) ex-premier britânico Boris Johnson. Foto: Henry Nicholls/Reuters

Assim como Jair Bolsonaro, Boris Johnson, líder conservador e populista que acaba de renunciar ao cargo de premier britânico, passou boa parte de seu mandato convivendo com índices de rejeição quase sempre (muito) superiores ao de aprovação.

Desde julho de 2019, os índices de reprovação nunca ficaram abaixo dos 40%. Até ontem ainda flutuavam na casa dos 60%. A aprovação era de 22% –metade do que já foi um dia.

Johnson caiu em desgraça quando a população descobriu que ele foi um dos primeiros a furar as regras de distanciamento social impostas pelo próprio governo. Pelo mundo correram as imagens dos regabofes promovidos pelo primeiro-ministro e amigos em Downing Street.

Contra ele pesava também a notícia de que seu imóvel no famoso endereço passou por uma reforma em 2021 com ajuda de um doador do Partido Conservador.

A gota d’água foi o escândalo sexual contra um aliado no Parlamento. Vice-líder do governo, o deputado Chris Pincher é acusado de apalpar dois homens em um clube em Londres.

Para a população britânica, o mau exemplo do premier fanfarrão e seus amigos era motivo suficiente para desconfiar de sua capacidade de liderar o país.

Isso se reverteu no derretimento de seu apoio parlamentar. Fim de estrada.

A essa altura, o leitor habituado aos noticiários nativos deve estar ligando os pontos e perguntando onde foi que erramos.

Alta rejeição, boicote aos esforços de distanciamento social, ao uso de máscaras, participação em regabofes durante a pandemia, escândalo sexual envolvendo parceiros…nem mesmo relações estranhas entre público e privado em reformas de residências oficiais escapa do paralelo.

E, no entanto, Jair Bolsonaro não passou nem perto de ser apeado do cargo nos últimos três anos e meio.

A diferença entre um e outro está na capacidade de reunir apoio parlamentar.

Johnson perdeu o dele.

Já Bolsonaro construiu uma muralha ao longo do mandato.

Fez isso na base do orçamento secreto, da recepção calorosa a lobbies privados, nas machadadas sobre o que restava da Lava Jato e das regras fiscais do país. A farra bolsonarista é sobretudo orçamentária.

É o que permite a ele zombar da população empobrecida enquanto passeia tranquilamente de cavalo e jet ski em dias de folga.

O termômetro desse apoio no Congresso, que já não tem paralelo na opinião pública, pode ser vislumbrado na queda de braço sobre a CPI do MEC.

No muque, os governistas conseguiram deixar as apurações para depois das eleições.

A decisão é salomônica só para seus alvos.

Bolsonaro se livra de explicar como dois pastores e um ministro suspeitos montaram um balcão de negócios na frente do Ministério da Educação.

E boa parte dos parlamentares escaparam de explicar o que fizeram com o dinheiro.

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