O que dizem as diferenças das duas pesquisas sobre emprego no Brasil

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Todo mês, os brasileiros se deparam com dados contrastantes nas divulgações de mercado de trabalho. Primeiro, o IBGE diz que a e há milhões de pessoas em busca de vagas. Depois, o Ministério da Economia apresenta dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em que afirma que a geração de postos com carteira assinada está a pleno vapor.

Nesta semana, esse roteiro de sinais trocados se repetiu. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, mostrou na quarta-feira que 14,8 milhões de pessoas estão procurando trabalho, número recorde. Já o Caged de maio, divulgado nesta quinta-feira, indica que o saldo entre contratações e demissões ficou positivo em mais de 280 mil postos em maio e, no acumulado do ano, está no azul em 1,2 milhão.

Afinal, qual dado é o mais correto? É uma pergunta que nem especialistas conseguem responder. Apesar de tratarem do mesmo assunto, href="https://oglobo.globo.com/economia/entenda-as-diferencas-entre-caged-pnad-o-que-essas-pesquisas-dizem-sobre-desemprego-24809408">os dois levantamentos têm metodologias diferentes. Isso dificulta comparações, embora fosse de se esperar que ambos ao menos seguissem a mesma tendência.

A Pnad é feita por amostragem. Técnicos do instituto entrevistam moradores de pouco mais de 200 mil lares no país. O resultado é uma divulgação abrangente, que diz quantas pessoas têm emprego formal, quantas estão na informalidade e até quem já desistiu de procurar trabalho.

Já o Caged é um registro administrativo, formado pelas informações que as empresas enviam ao governo quando admitem ou demitem empregados. Esse sistema sofreu mudanças metodológicas no ano passado, como a obrigatoriedade de informar contratações temporárias.

Outra diferença importante é que o cadastro não capta os números da informalidade. Mas isso, por si só, não explica a discrepância entre as duas bases, já que a Pnad também aponta perda de postos de trabalho entre empregados com carteira, em tendência inversa à apresentada pelo Caged.

Nos últimos meses, o cadastro do governo foi alvo de críticas por mostrar, em plena pandemia, resultados até melhores que os de 2010, ano em que o Brasil registrou crescimento de 7,5%. A possibilidade de que empresas poderiam estar deixando de fornecer informações atualizadas sobre demissões chegou a ser levantada. O governo nega problemas na pesquisa e atribui o resultado à retomada da economia, que também já aparece em outros indicadores.

A Pnad também levanta dúvidas entre especialistas. Há quem diga que o IBGE pode estar falhando em captar a geração de empregos. Diante disso, a hipótese é que o retrato mais fiel do mercado de trabalho esteja em algum lugar intermediário entre os dois levantamentos.

Para além dos contrastes, é importante observar os pontos em que as pesquisas se complementam. Se o Caged mostra mais empregos com carteira, só a Pnad revela que cada vez mais brasileiros estão recorrendo à informalidade e o número dos que desistiram de procurar, os chamados desalentados, já chega a 6 milhões de trabalhadores, o que representa um encolhimento da força de trabalho do país.

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