O que dizem os presidenciáveis sobre o combate a epidemias e endemias no Brasil

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Por Fernando Arbex

Os brasileiros se assustam com a volta da incidência de doenças consideradas erradicadas no país, como sarampo, poliomilite e tuberculose, bem como há a preocupação com endemias conhecidas da população, como dengue e febre amarela. Por isso o Yahoo! pediu aos candidatos à Presidência da República o posicionamento deles a respeito desse tema.

Veja as respostas a seguir:

Álvaro Dias (Podemos)

“Assim como outros erros e demandas do passado, vamos enfrentar esse desafio com muita seriedade para riscar do mapa as doenças outrora erradicadas. Como? fortalecendo a pesquisa e investindo os recursos que a área de saúde merece”.

Guilherme Boulos (PSOL)

“É evidente o agravamento da crise sanitária no Brasil, fruto da recessão econômica e dos cortes públicos em saúde promovidos pelo governo Temer. Os principais efeitos dela hoje são o aumento da mortalidade infantil e os surtos de doenças consideradas erradicadas.

Reverter a queda de vacinação passa por fazer campanhas junto à população mas, sobretudo, por garantir acesso à vacinação nas unidades de Atenção Básica, pelo abastecimento de vacinas e insumos e pelo fortalecimento da atuação das equipes de Saúde da Família em todo o país.

Contra o sarampo, é preciso garantir a vacinação em duas doses e com cobertura homogênea de, no mínimo, 90% da população. Já a vacina da poliomielite precisa ser reforçada através de campanhas de conscientização. Para combater a dengue, vamos realizar campanhas permanentes de educação em saúde e atuação maciça do poder público para a eliminação de vetores. No caso da febre amarela, vamos vacinar todas as pessoas em áreas de vírus circulantes, para controlar a situação endêmica.

Sobre a tuberculose, ela nunca foi erradicada no Brasil. Essa problemática, que é influenciada principalmente por determinantes sociais, precisa ser combatida com acesso ao tratamento e investimento em iniciativas específicas para grupos de maior risco, como a população carcerária e em situação de rua, e em políticas públicas de acesso, por exemplo, à moradia digna, alimentação adequada e saneamento básico.

Finalmente, é fundamental fortalecer as pesquisas básicas e aplicadas às patologias e ao desenvolvimento público de novas vacinas e tratamentos”.

Henrique Meirelles (MDB)

“Nossa proposta é intensificar as campanhas de vacinação contra estas doenças. Além disso, pretendemos reforçar as campanhas educativas, mostrando a importância das vacinas e, ao mesmo tempo, combatendo as notícias falsas sobre os efeitos negativos das vacinas.

Quanto à febre amarela e dengue, as campanhas para que as famílias tomem os cuidados indispensáveis para evitar a propagação dos mosquitos, como evitar agua parada, etc. serão intensificadas. Em todos os casos, as campanhas serão conduzidas em conjunto com as prefeituras”.

José Maria Eymael (DC)

“Nas 27 diretrizes gerais de governo da Democracia Cristã — DC — está o projeto Saúde Inteligente, ou seja, a saúde chegando antes da doença. Este conceito representa o compromisso da DC com a prevenção. De outro lado, Saúde Inteligente, ao ter como objetivo a prevenção, necessariamente implica em um amplo processo de vacinação pública”.

Lula (PT)

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou recentemente que o fracasso econômico do golpe e suas medidas antipopulares de austeridade fiscal já se fazem sentir dramaticamente na saúde, com aumento da mortalidade infantil, diminuição da cobertura vacinal e volta de doenças evitáveis. Segundo ele, não podemos descansar neste país enquanto uma criança morrer de doenças que possam ser evitadas por vacinas conhecidas. O ex-presidente lembra que os governos do PT sustentaram um dos maiores programas públicos de vacinação e de combate a AIDS, a Malária, a Tuberculose e a Hanseníase.

Agora, o plano de governo para seu terceiro mandato reafirma o compromisso de defender a luta pela implantação do SUS como direito social de todo o povo brasileiro e dever do Estado. Para isso, a organização de uma atenção básica resolutiva e orientadora do cuidado à saúde é o eixo central da política assistencial que se quer implementar. O novo governo Lula fortalecerá a regionalização dos serviços de saúde, que deve se pautar pela gestão da saúde interfederativa, racionalizando recursos financeiros e compartilhando a responsabilidade com o cuidado em saúde. O compromisso passa pelo investimento direto do governo federal, em conjunto com estados e municípios, para constituir os Centros de Especialidade Multiprofissionais, sobretudo nas regiões onde o SUS não dispõe de serviços e profissionais especializados.

Também está proposto estabelecer uma forte ação de controle do Aedes aegypit, que vem fragilizando a saúde no país. Para Lula, investir em saúde, educação e políticas sociais será essencial, não apenas para garantir direitos e melhorar a qualidade de vida da população, mas também como uma das bases de um novo modelo desenvolvimento econômico”.

Marina Silva (Rede)

“O retorno dessas doenças mostra que a saúde não foi prioridade nos últimos governos. A saúde é uma das áreas onde a população se sente mais vulnerável, justamente porque ela só conta com o Estado. A situação deixa claro que houve um relaxamento do governo nas campanhas de conscientização da população.

A atenção à criança será prioridade no governo Marina Silva. Para a candidata, a decisão de investir prioritariamente nas crianças fez de muitos países nações avançadas. Desta forma, investir em campanhas de vacinação é valorizar a medicina preventiva. O cuidado com a primeira infância estará contemplando na política nacional de desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos, um programa intersetorial que integrará as áreas de saúde, educação e segurança e outras áreas e que terá o apoio direto aos municípios para garantir o atendimento à primeira infância”.

Vera Lúcia (PSTU)

“A incidência de doenças consideradas erradicadas está relacionada com o descaso com a saúde pública por parte do governo federal e também dos governos estaduais e municipais. A PEC 241 apresentada por Temer e aprovada por seus comparsas na Câmara Federal e no Senado congela o investimento público na saúde por 20 anos. Enquanto isso, em 2018, o governo federal vai abrir mão de mais de 283,4 bilhões de reais em renúncias fiscais, conforme estimativa da Receita Federal. O valor é superior à soma dos orçamentos da Educação e da Saúde: 107,5 bilhões e 131,4 bilhões, respectivamente.

A falta de saneamento é outro fator responsável pelas incidências de doenças já consideradas erradicadas. De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), estudo do Instituto Trata Brasil, em 2016, 35 milhões de brasileiros, ainda não tinham acesso ao serviço. Quanto à coleta de esgoto, 48,1% da população não tinha acesso ao serviço e apenas 44,9% do esgoto gerado no país era tratado.

Para combater a incidência de tais doenças, o PSTU defende revogação imediata da PEC 241, que congela por 20 anos os investimentos na saúde pública. Defendemos um investimento necessário que garanta o acesso ao serviço de saúde público, gratuito e de qualidade a todos. Ampla campanha de vacinação e conscientização sobre as doenças. Fortalecimento do SUS como e seus princípios de universalidade, integralidade e equidade. Defendemos a aplicação de um plano de obras públicas que ao mesmo tempo que vai resolver o problema do saneamento básico, vai gerar empregos. Para isso, é preciso dar um basta na sangria do dinheiro suspendendo o pagamento da dívida pública que consome quase metade do orçamento público anualmente. O dinheiro que vai para os bolsos de meia dúzia de banqueiros tem que ser investido nos serviços públicos essenciais que atendem ao povo pobre e trabalhador”.

Procurados pelo Yahoo!, os candidatos Cabo Daciolo (Patriota),  Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Jair Bolsonaro (PSL), João Amoêdo (Novo) e João Goulart Filho (PPL) não comentaram o assunto até a publicação desta reportagem.