O que esperar da Era de Aquário?

Lívia Breves
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Segundo a astrologia, hoje, junto com o início do verão, Júpiter e Saturno estarão num raro alinhamento no mesmo grau do signo de Aquário, dando boas-vindas à nova era, tão esperada (e festejada) desde os anos 1970, quando a música “Age of Aquarius”, do The Mamas and The Papas, embalou toda uma geração e virou trilha sonora do filme “Hair”. Nesse novo tempo, que dura 2.160 anos, as características aquarianas mais básicas, como igualdade, solidariedade e fraternidade, irão reger o mundo.

Nas rodinhas dos neohippies e de toda a turma que olha para os astros, a conversa anda monotemática: acredita-se que a nova era será capaz de levar a energia carregada de 2020 e começar a trazer ares mais justos, mais livres e mais felizes. Fala-se ainda que será um período de autoconhecimento, de olhar para dentro. Ou seja, de fazer muita terapia, ioga e meditação, práticas que deram um boom de procura, assim como destinos alternativos como a comunidade de Piracanga, na Bahia, e a cidade mística de Alto Paraíso, em Goiás. Cada vez mais, as pessoas buscam respostas que estão além das ciências, das tecnologias e da matéria. Ainda que possa ser embalada por modismos, há uma mudança de comportamento visível acontecendo.

Uma das vozes que fala sobre isso é Lívia de Bueno, comunicóloga que usa a astrologia para explicar padrões e mudanças comportamentais. “Nesse novo período, espera-se uma preocupação com o coletivo, maior consciência social, aumento do compartilhamento de ideias. O senso de igualdade, em que podemos aceitar as diferenças e nos ver livres de preconceitos, também estará fortalecido. Será uma era tecnológica e progressista com foco na individualidade e na opinião própria, fatores importantes para não se perder na voz das massas”, diz ela. “Será o momento para trabalhar a consciência individual e espiritual através da conexão interna.”

Lívia comenta ainda que a “Era dos Gurus” acabou (e, de fato, recentemente diversos deles viraram caso de polícia, destacando a fragilidade desse tipo de relação). Agora, cada um é seu próprio guia. “Podemos ter muitos professores e mestres que nos inspiram e guiam, mas precisamos aprender a nos descobrir sozinhos, nos conectando com a nossa essência, nossa verdade interior. Atualmente, temos um mundo de referências por causa da globalização das informações. Isso é potente, mas pode pasteurizar os pensamentos. Precisamos trazer a autenticidade e encontrar o nosso brilho próprio para, assim, ajudarmos no âmbito coletivo sem nos perder.”

As eras cósmicas são um conceito tanto astronômico quanto astrológico. Elas são determinadas a partir de dois movimentos da Terra — a precessão dos equinócios e a variação da obliquidade do eixo terrestre — em conjunto com as constelações zodiacais. “Essa será a Era do Ser. Sem os apegos da de Peixes, que teve o Cristianismo como grande símbolo e o nascimento de Jesus pontuando seu início”, resume a psicóloga e astróloga Chloé d’Archemont.

Para se ter uma ideia, a Era de Touro, de 4001 a 2000 A.C., foi marcada pela construção e o desenvolvimento das artes, já que tal signo é regido por Vênus, a deusa da beleza. Já a Era de Áries, que aconteceu em torno de 2001 a.C. a 0, foi pautada por grandes guerras e disputas por ser um signo regido por Marte, o deus da guerra.

As mudanças não acontecem do dia para a noite. Acredita-se que nas últimas décadas a energia já rondava a vida das pessoas e do mundo. “Estamos vivenciando uma transição desde os anos 1960. É um privilégio testemunhar isso. Assuntos como meio ambiente, justiça social, tecnologia e ciência estarão em plena ascensão nos próximos dois mil anos. Aquário pede que sejamos o nosso próprio mestre. Temos sede e força para criar esse novo mundo que desejamos compartilhar”, completa Chloé.

Como diz a música, abra seu coração e deixe brilhar. Vale até para quem não bota fé na astrologia.