Saiba o que faz a Secom, alvo de nova polêmica após post com críticas a Petra Costa

REUTERS/Ueslei Marcelino

A Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República voltou aos holofotes nesta semana após usar um canal oficial do órgão para rebater e atacar a cineasta Petra Costa, diretora do documentário Democracia em Vertigem, que aborda o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e foi indicado ao Oscar 2020

Na mensagem publicada no perfil de uma rede social, a Secom diz que “Petra Costa assumiu o papel de militante anti-Brasil e está difamando a imagem do País do exterior”. 

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O post incluía um vídeo de um pouco mais de dois minutos com trechos de uma entrevista que a cineasta concedeu ao canal PBS, emissora pública dos Estados Unidos. “É inacreditável que uma cineasta possa criar uma narrativa cheia de mentiras”, afirma o post.

A atitude da Secom gerou diversas críticas, por se afastar da missão do órgão, que é promover a comunicação do Governo Federal com a sociedade e ampliar o acesso às informações de interesse público.

Entre as atribuições da Secretaria de Comunicação, estão a divulgação de direitos e serviços e projetos e políticas de governo. Para isso, coordena perfis oficias em redes sociais e sites governamentais como o Portal Planalto e Gov.br. Conta ainda com o apoio da TV Brasil e o programa de rádio A Voz do Brasil.

Vinculado à Secretaria de Governo, o órgão é responsável também pelo atendimento à imprensa e pela distribuição da verba de propaganda do Planalto e dita as regras para as contas dos demais órgãos federais.

A Secom ganhou evidência nos últimos dias quando foi revelado, por uma série de reportagens do jornal Folha de São Paulo, que o secretário Fábio Wajngarten era sócio de uma empresa que recebe dinheiro de emissoras de TVs e empresas de publicidade contratadas pela própria Secretaria, o que implicaria em conflito de interesses.

A legislação proíbe integrantes da cúpula do governo de manter negócios com pessoas físicas ou jurídicas que possam ser afetadas por suas decisões. O conflito de interesses pode configurar ato de improbidade administrativa. A Polícia Federal já abriu inquérito para apurar suposto favorecimento de emissoras e agências de publicidade clientes da empresa de Wajngarten.

Paralelamente, o Ministério Público de Contas solicitou ao Tribunal de Contas que investigue se o chefe da Secom favoreceu emissoras de TV, entre elas clientes de sua empresa, ao distribuir verbas publicitárias.

Críticas a Petra Costa e tentativa de salvação

Nos bastidores, alguns dizem que a mudança no tom do discurso da Secom, abandonando o caráter institucional para uma defesa “agressiva” do governo do presidente Jair Bolsonaro, é uma tentativa de agradar os filhos do presidente, especialmente o vereador Carlos Bolsonaro (RJ), e de se reaproximar do núcleo ideológico do bolsonarismo.

Fabio Wajngarten chegou ao governo em abril de 2019, com a missão de melhorar a relação do governo com as empresas de mídia. Na época, a nomeação teve o apoio do próprio Carlos e do escritor Olavo de Carvalho, guru ideológico do bolsonarismo. Mas com o tempo, esse relacionamento se deteriorou.

Como as manchetes nos jornais continuassem negativas para o governo, Carlos passou a criticar abertamente a comunicação do Planalto. “É lamentável somente nós lutarmos para mostrar o que tem sido feito de bom 24h ao dia enquanto se vê uma comunicação do governo que nada faz”, escreveu o ”02” em um post.

De acordo com aliados do governo, Carlos desejava uma defesa mais contundente do governo. Por isso, acreditam que, diante da crise que enfrenta, Wajngarten tentar agradar o clã Bolsonaro para se agarrar ao cargo.