O que foi 2021, em 10 discos

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De Caetano Veloso (que chega aos 80 anos em 2022 junto com Gilberto Gil, Milton Nascimento e Paulinho da Viola) a Billie Eilish (que completou 20 no último dia 18), uma seleção do mais significativo que os músicos do mundo tiveram a dizer ao longo do ano. Discos que serviram de janela para uma população confinada.

"Meu coco", Caetano Veloso

O Brasil, os desvarios de sua política e a grandeza de sua música atravessam o primeiro álbum de inéditas do baiano em quase nove anos. Polifônico, sem unidade aparente, atual e atemporal, o disco resume a obra de Caetano enquanto avança por novos campos, especialmente em “Não vou deixar”: a canção indignada com a qual o vovô nervoso, manhoso e teimoso presenteia os netos.

"Happier than ever", Billie Eilish

O segundo álbum da estrela pop (desta vez, na maturidade dos seus 19 anos) tem muito do voz-no-ouvido da sua estreia fonográfica — só que com ótimas canções, que embalam com sonoridades estranhas e impactantes as mais finas observações sobre a existência.

"Sankofa", Amaro Freitas

Em seu terceiro e mais elaborado álbum, o pernambucano de 30 anos, sensação nos palcos europeus do jazz, caminha rumo à ancestralidade africana e dela extrai complexidades e belezas. Lírico e intenso, o piano de Amaro esbanja dinâmicas, polirritmias e melodias.

"El madrileño", C. Tangana

Da Espanha, veio o mais estiloso álbum do pop latino de 2021. Com um time que une dos Gipsy Kings e Jorge Drexler a José Feliciano e Toquinho, o cantor costura tradições e inovações (como as do funk brasileiro) em um disco com potencial para torná-lo um astro global.

"Delta Estácio Blues", Juçara Marçal

Radical na escolha dos compositores, na representação da realidade, na construção sonora e no canto, o álbum da cantora do Metá Metá foi a saudável unanimidade do ano: nenhum outro disco traduziu a encrenca do Brasil em 2021 de forma tão fiel (ou seja, crua) quanto este.

"Montero", Lil Nas X

Em seu álbum de estreia, o rapper de 22 anos que mudou o jogo do showbiz em 2019 com o estouro inesperado da canção “Old Town Road” surpreende — e vence — novamente ao narrar as lutas (internas e externas) de um jovem negro e gay em um mundo de intolerância.

"Patroas 35%", Marília Mendonça, Maiara e Maraísa

Num ano em que , de Luísa Sonza a Marina Sena, as mulheres mandaram no pop brasileiro, o projeto tocado por Marília (tragicamente falecida dias após o disco ser lançado) com as amigas consagra a força do sertanejo feminino. Sofrência nível hard, estilo inigualável.

"Dear love", Jazzmeia Horn and Her Noble Force

Aos 30 anos, com um punhado de indicações ao Grammy, a cantora americana de jazz compôs canções, escreveu todos os arranjos de sopros e cordas e também produziu sozinha esse disco no qual investiga, de forma musical e poética, todos os sentidos do amor.

"Aldir Blanc inédito", vários artistas

Homenagem dos amigos ao compositor falecido de Covid-19 em 2020, essa coleção de inéditas consegue, ao mesmo tempo, emocionar pela qualidade das interpretações (Maria Bethânia, Chico Buarque, João Bosco) e diagnosticar com precisão os males dos tempos atuais.

"30", Adele

Um do discos mais aguardados pela indústria este ano, o quarto álbum da rainha inglesa (e mundial) da sofrência revelou um bem-vindo amadurecimento, em faixas calcadas no soul negro americano e dispostas como um manual da sobrevivência no jogo amoroso.

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