‘O que a gente está vivendo no litoral do Nordeste é assustador’, diz professor da Ufal

Marcella Fernandes
É o maior desastre desse tipo em termos de extensão da costa brasileira. Dos 8,5 mil quilômetros costeiros, mais de 2 mil foram atingidos pelo óleo.

“O que a gente está vivendo no litoral do Nordeste é algo assustador. Uma tragédia. A gente nunca viu nada parecido na vida, então é muito difícil estimar qualquer impacto. Qualquer informação agora vai estar sendo brutalmente subestimada porque há um volume muito grande de óleo que está chegando ainda às praias.”

O depoimento é do oceanógrafo e professor Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Claudio Sampaio, que tem atuado na mobilização para retirar o óleo que atinge todos os estados nordestinos. É o maior desastre desse tipo em termos de extensão da costa brasileira. Dos 8,5 mil quilômetros costeiros, mais de 2 mil foram atingidos.

O desastre ambiental se arrasta há mais de um mês e como o Ministério do Meio Ambiente não acionou o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água, o trabalho tem sido feito de forma não articulada e majoritariamente por voluntários, muitas vezes sem a proteção adequada. Por isso, a conduta do ministro Ricardo Salles é crítica unânime entre os ambientalistas.

“O óleo cru causa irritação. Pode causar quadros alérgicos. Há voluntários sem luva, sem sapato adequado. Muitas vezes sem máscara ou proteção nos olhos. Isso pode causar irritação das vias aéreas e dos olhos. Isso tudo deve ser muito bem informado aos voluntários. Vi foto de pescador com saco na mão removendo óleo nessas praias. É muito preocupante isso”, afirma Sampaio, que tem atuado na capacitação em Alagoas.

De acordo com o professor, funcionários das prefeituras em diversos municípios foram liberados do expediente para ajudar na retirada do óleo e há uma grande mobilização social no litoral norte alagoano e no sul de Pernambuco. “São pessoas que muitas vezes vivem da pesca e do turismo e estão defendendo o seu pão de amanhã”, afirma. Em muitas cidades, o turismo e a pesca são as principais fontes de renda, ambas gravemente afetadas pelo derramamento.

Sem o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água, o trabalho tem sido feito de forma não articulada e majoritariamente por voluntários, muitas vezes sem a proteção adequada.

Impacto no...

Continue a ler no HuffPost