O que há por trás da misteriosa onda de mortes de oligarcas russos

A maioria dos oligarcas russos que morreram era envolvido com os setores de gás e petróleo. (Foto: Getty Images)
A maioria dos oligarcas russos que morreram era envolvido com os setores de gás e petróleo. (Foto: Getty Images)

De janeiro a maio deste ano, ao menos sete oligarcas russos teriam se suicidado, sendo que três deles supostamente mataram familiares antes de tirar a própria vida.

Mas o que há por trás desse rastro de sangue e morte envolvendo famílias e heranças milionárias? A maioria deles era envolvido com os setores de gás e petróleo.

A cronologia dos fatos começa em janeiro.

No final daquele mês, antes de as tropas russas invadirem a Ucrânia, Leonid Schulman, de 60 anos, um gerente de alto nível da empresa Gazprom, empresa de energia estatal russa, teria cometido suicídio.

Um mês depois, em 25 de fevereiro, Alexander Tyulyakov, outro ex-gerente da gigante de energia, foi encontrado morto em sua casa em São Petersburgo. Três dias depois, o magnata ucraniano do gás e do petróleo Mikhail Watford também foi encontrado morto na garagem de sua propriedade rural em Surrey, no sul da Inglaterra.

Um dia antes de completar um mês da segunda morte, em 24 de março, o bilionário Vasily Melnikov, chefe da empresa gigante de suprimentos médicos MedStom, foi encontrado morto ao lado de sua esposa, Galina, e de seus dois filhos pequenos em seu apartamento multimilionário na cidade russa de Ninzhni Novgorod.

Já em abril, mais dois empresários russos morreram em aparentes incidentes de assassinato e suicídio.

Vladislav Avayev, ex-vice-presidente do Gazprombank, foi encontrado morto com sua esposa e filha de 13 anos, em seu apartamento em Moscou no dia 18 de abril. A agência de notícias estatal russa Tass informou que ele tinha uma pistola na mão. A suspeita das autoridades é que ele primeiro matou sua esposa e filha e depois a si mesmo.

Apenas um dia depois, em 19 de abril, Sergey Protosenya, ex-executivo da produtora de gás Novatek, que pertence parcialmente à Gazprom, foi encontrado morto ao norte de Barcelona. Os corpos de sua esposa e filha foram encontrados nas proximidades.

A polícia inicialmente presume que o milionário Serguei Protosenya, esfaqueou as duas mulheres até a morte e depois se enforcou no jardim da casa. Protesenya, sua esposa e filha foram encontrados em sua casa em Lloret de Mar, um resort mediterrâneo perto de Barcelona.

E também há o caso de Andrei Krukovsky. O homem de 37 anos era o diretor da estação de esqui Krasnaya Polyana, localizada perto de Sochi. Diz-se que o presidente russo, Vladimir Putin, convidou repetidamente seus amigos para esquiar no local. De acordo com o jornal russo Kommersant, Krukovsky realizava uma caminhada no dia 2 de maio quando caiu de um penhasco.

Trilha de sangue e mortes misteriosas

As mortes misteriosas dos sete russos milionários em apenas três meses sob circunstâncias tão terríveis geraram todo tipo de especulação.

Vários meios de comunicação supuseram que os suicídios poderiam ter sido forjados. Alguns deles chegaram ao ponto de sugerir que o Kremlin, ou mesmo o próprio Putin, poderiam estar envolvidos de alguma forma.

No Kremlin, nos últimos anos, ocorreram várias tentativas dramáticas de assassinato de críticos. Em agosto de 2020, o líder da oposição Alexei Navalny foi envenenado com o agente nervoso Novichok enquanto estava no aeroporto de Tomsk. Dois anos antes, Serguei Skripal, ex-chefe da agência de inteligência russa GRU, havia sido envenenado de forma semelhante. Tanto Navalny quanto Skripal sobreviveram.

Já em 2006, Alexander Litvinenko, um ex-oficial de segurança russo que desertou para o Reino Unido, foi fatalmente envenenado com polônio radioativo em Londres. Em 2017, o jornal americano USA Today publicou os resultados de uma investigação que afirma que pelo menos 38 oligarcas morreram ou desapareceram ao longo de três anos.

No entanto, o que tem causado intrigas nos incidentes de 2022 é que nenhum dos oligarcas mortos era conhecido por ter feito comentários públicos críticos sobre a invasão da Ucrânia. Ao mesmo tempo, nenhum deles estava nas listas de sanções internacionais elaboradas após a invasão.

Em uma publicação recente nas mídias sociais pelo Warsaw Institut, um think tank polonês especializado em Rússia e política de segurança, afirmou que tanto a polícia russa quanto os serviços de segurança da Gazprom iniciaram rapidamente investigações nos locais das mortes ocorridas na Rússia.

"Possivelmente algumas pessoas ligadas ao Kremlin estão agora tentando encobrir vestígios de fraude em empresas estatais", afirma o instituto.

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