O que muda com a chegada da internet 5G? Entenda o que será diferente na conexão

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A semana terminou com a realização do leilão 5G — a quinta geração de internet móvel —, que deve turbinar o sistema nacional de telecomunicações. A licitação, segundo o governo federal, movimentou R$ 46,7 bilhões — pouco abaixo dos R$ 50 bilhões previstos. A promessa é colocar o Brasil no mapa mundial com a mais avançada tecnologia, que deverá chegar de forma escalonada a todas as cidades do país até 2029. As capitais e o Distrito Federal serão os primeiros contemplados, até 31 de julho do ano que vem.

Para ajudar o leitor a entender o que vem por aí em termos de avanços tecnológicos — como melhor conexão, mais velocidade para baixar e enviar arquivos e menor tempo de resposta entre um aparelho e os servidores de internet —, o EXTRA lista abaixo as mudanças que devem acontecer nos próximos anos. Cada vez mais será possível ver carros que dirigem sozinhos e cirurgias feitas remotamente ou ter muitos objetos ligados à web ao mesmo tempo (lâmpadas, aspiradores de pó, geladeiras...).

Mesmo sem a participação de empresas estrangeiras, o pregão foi o principal já realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o segundo maior do país, perdendo apenas para o do pré-sal. Do total de recursos movimentados, a maior parte será destinada a investimentos obrigatórios a serem feitos pelas operadoras, como forma de garantir que a tecnologia chegará a locais sem atratividade econômica. Por isso, os valores de investimentos nas áreas foram “descontados” do leilão. Todos os contratos valerão por 20 anos.

As empresas disputaram as chamadas faixas de frequência (700 Mhz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz), que são como avenidas por onde trafegam os dados da internet. Um dos destaques foi a inserção de seis novas operadoras no mercado.

Claro, Vivo e TIM confirmaram o favoritismo que já era esperado pelos investidores e arremataram os lotes mais importantes da faixa de 3,5 GHz, de atuação nacional, considerada o filé mignon da disputa. Em todo o mundo, a faixa do 3,5 GHz é o coração do 5G. O certame previa a licitação de dois tipos de faixas: nacionais — que foram arrematadas majoritariamente pelas grandes teles — e regionais, que atraíram principalmente empresas locais ou que atuam em algum nicho.

Nem todos os lotes, no entanto, foram vendidos. Diversos blocos, principalmente os ofertados na sexta-feira, segundo dia do leilão, não foram arrematados. Essas faixas poderão ser postas à venda no futuro, como “sobras” do leilão do 5G. Do total oferecido, não houve interessados para cerca de 15%.

Preciso de novo celular?

O governo vai ofertar quatro faixas para a operação das redes: de 700 MHz (megahertz), 3,5 GHz (gigahertz), 2,3 GHz e 26 GHz. Por isso, quando as operadoras lançarem o 5G comercialmente, o consumidor vai precisar comprar um novo aparelho que seja compatível com a nova tecnologia.

Os celulares mais modernos lançados neste ano já são aptos ao 5G, pois são multibanda. As frequências de 700 MHz e 3,5 GHz são as mais populares hoje em todo o mundo. Assim, é importante que o consumidor, antes de comprar um celular, verifique se o aparelho opera nessas faixas. Em geral, dizem os especialistas, os modelos mais recentes da Samsung e da Apple já são aptos à quinta geração de telefonia.

Conexão é mais rápida?

O 5G vai permitir velocidade móvel de até 1 giga por segundo. Em teoria, isso significa uma internet cem vezes mais rápida do que a do atual 4G. Mas, na média dos países da Europa e nos Estados Unidos, a quinta geração de telefonia tem permitido velocidade entre 30 e 50 vezes maior do que a do sistema atual.

Essa maior velocidade vai permitir baixar fotos e assistir a filmes quase que de forma instantânea. A chamada latência também é baixa na nova tecnologia, o que significa uma transmissão de dados mais fluida e sem demora para carregar.

Além disso, permitirá movimentos simultâneos entre duas pessoas interagindo na rede, como em games ou no uso de um aplicativo de ginástica, por exemplo.

Vai ser possível usar realidade virtual?

Além de games e filmes, o 5G vai possibilitar novas experiências digitais, como realidade virtual e aumentada. Para isso, estão sendo aprimorados produtos e equipamentos, como óculos que permitem experiências imersivas. É o que empresas como Facebook e Microsoft pretendem concretizar no chamado metaverso — uma espécie de mundo paralelo digital que poderia permitir a interação entre usuários com avatares em situações de lazer, estudo ou trabalho.

A velocidade da conexão será decisiva para combinar imagens e possibilidades de interação em tempo real.

O que mudará em relação ao consumo?

O 5G vai permitir acelerar o desenvolvimento de novas indústrias no campo da internet das coisas (IoT) e promete mudar a relação das pessoas com bens de consumo. Com conexão maias veloz, devem avançar tecnologias como as do carro autônomo e da telemedicina, que permitirão cirurgias remotas com maior precisão.

Produtos como tênis, geladeiras, cafeteiras e até escovas de dente já contam com chips e sensores para exercer funções de forma autônoma. E será possível o desenvolver soluções para cidades inteligentes, com sistemas automáticos de iluminação e coleta de lixo.

O 4G deixará de existir?

Não. Os celulares atuais continuarão funcionando nas redes 4G, 3G e 2G. Essas conexões serão mantidas.

A internet fixa também não será substituída. Embora o 5G seja muito potente e prometa velocidades maiores até do que as que temos em casa, a tendência é que a rede móvel sirva como um complemento. Para conectar lâmpadas, aspiradores de pó, geladeiras, entre dezenas de outras coisas, o Wi-Fi ainda será a ponte para a internet.

Para o 5G oferecer a velocidade, é preciso também chegar com a fibra óptica na antena. A necessidade de instalar mais cabos nas cidades pode acelerar a infraestrutura.

O 5G de hoje é real?

Algumas operadoras já fazem propagandas sobre o 5G, mas esse ainda não é o 5G “puro”. A tecnologia é o 5G DSS (Compartilhamento Dinâmico de Espectro, da sigla em inglês), que funciona como transição entre a quarta e a quinta geração da rede. A tecnologia usa as mesmas frequências do 4G e oferece uma velocidade maior, mas não chega a entregar o potencial máximo do 5G.

Essa conexão vai ser importante no conceito futuro da rede 5G, quando a cobertura ainda for restrita. Você poderá estar em uma região onde não há cobertura total da quinta geração, mas terá o 5G DSS que ajuda nessa continuidade de conexão.

Quando estará disponível em todo o país?

Ainda vai levar um tempo. A expectativa de fontes ligadas ao setor é que ainda sejam necessários de 2 a 4 anos, depois do leilão de frequências, para que o 5G esteja disponível em diversos bairros das maiores cidades do país.

No edital do leilão, está previsto que o 5G deve funcionar nas 26 capitais do Brasil e no Distrito Federal em 31 de julho de 2022, mas isso também não significa que essas cidades oferecerão a frequência em todos os lugares.

O consumidor vai pagar mais pela tecnologia?

As operadoras geralmente não oferecem acesso exclusivo a um tipo de tecnologia de rede, mas cobram pela franquia de dados usada. As empresas, porém, ainda não definiram se haverá reajustes nos pacotes de dados, pois ainda vão levar meses até que tenham a tecnologia disponível.

O acesso ao 5G deve ser mais restrito no início por dois motivos: cobertura menor, primeiramente centrada nas capitais, e compatibilidade de poucos celulares.

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