O que mudou no RJ em 1 mês de Cidade Integrada?

Police officers patrol the Jacarezinho slum during a new pacification operation to combat crime in Rio de Janeiro, Brazil, January 19, 2022. REUTERS/Alexandre Loureiro
Police officers patrol the Jacarezinho slum during a new pacification operation to combat crime in Rio de Janeiro, Brazil, January 19, 2022. REUTERS/Alexandre Loureiro
  • Abusos policiais, a prisão de um jovem negro e moradores sendo furtados por agentes de segurança estão entre relatos;

  • "A política de segurança pública é tratada com negacionismo", afirma pesquisadora;

  • O programa lembra o antiga Unidade de Polícia Pacificadora.

Ao completar um mês do novo programa Cidade Integrada no estado do Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro já deus algumas 'dicas' do que pode estar por vir em sua nova política de segurança. Inaugurando o programa com a visita não anunciada de policiais militares - 1.200 homens - na favela do Jacarezinho, na zona norte da capital fluminense, as ações do estado, no entanto, foram devastadoras: relatos de abusos policiais, a prisão de um jovem negro liberado depois do que um delegado chamou de "erro", moradores sendo furtados por agentes de segurança, entre outras situações.

Dias depois da primeira operação do Cidade, uma família moradora da comunidade denunciou que a casa foi invadida, revirada e furtada por policiais militares. O casal soube da invasão por volta das 12h de sábado (22 de janeiro) ao receber um telefonema de vizinhos. Naquele horário, policiais estariam dentro da casa "revirando tudo".

Segundo relatos, os policiais levaram suas economias: R$ 1.000 — dinheiro que seria usado para pagar o aluguel, e contas e um cofre com moedas para a festa de dez anos da filha. Apesar do choque de ter a casa invadida e furtada, a mulher e o marido tiveram de sair para trabalhar no mesmo dia.

No dia 06 de fevereiro, a Polícia Militar prendeu Yago Corrêa de Souza, de 21 anos, após ele sair para comprar pão em uma padaria. As câmeras de segurança registraram o jovem no estabelecimento do bairro Jacarezinho.

Yago aparece de bermuda jeans e camisa do Flamengo sendo servido pela atendente que pega sete pães. A outra gravação é da câmera de uma farmácia para onde familiares do jovem e uma testemunha disseram que Yago correu ao notar uma confusão na rua envolvendo policiais militares.

"Qual a possibilidade real dessa ideia sair do papel e realmente ter algum impacto? (...) O desenho de política pública é algo técnico, e Cláudio Castro disse que escolheu o Jacarezinho viveu aquele momento e porque ele diz que é parado nas ruas com pedido de intervenção", afirma Cecilia Oliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado. Para ela, o programa lembra o antiga Unidade de Polícia Pacificadora.