O que o desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Philips revela sobre disputas na Amazônia

O indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips desapareceram no Rio Itaquai entre as comunidades São Rafael e Atalaia do Norte, no extremo oeste do Amazonas, no dia 5 de junho. A principal linha de investigação sobre o caso levou à prisão de Amarildo Costa de Oliveira, de 41 anos, pescador na região. A área é cenário de circulação de homens armados que fazem pesca ilegal armados, ataques com tiros a indígenas, além da saída de pesca e caça ilegal. O Brasil é o quarto país com mais assassinatos de ativistas ambientais. Os dados são reunidos todo ano pela Global Witness. Com 20 assassinatos no ano passado, o país só não está em situação pior do que Colômbia, México e Filipinas. Os primeiros dias de buscas pelo indigenista Bruno Araújo Pereira e pelo jornalista inglês Dom Phillips foram marcados por críticas à atuação do governo federal, considerada lenta por entidades e familiares em elaborar um plano de ação para encontrá-los. Além de indigenista, pessoa que reconhecidamente apoia a causa indígena, Bruno Pereira é servidor federal licenciado da Funai. Ele também dava suporte a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) em projetos e ações pontuais. Segundo a Univaja, Bruno era "experiente e profundo conhecedor da região, pois foi Coordenador Regional da Funai de Atalaia do Norte por anos". Dom morava em Salvador e fazia reportagens sobre o Brasil há mais de 15 anos para veículos como "Washington Post", "New York Times" e "Financial Times", além do "The Guardian". Ele também estava trabalhando em um livro sobre meio ambiente. No fim de semana, bombeiros encontraram mochila, notebook e outros pertences na área em que as buscas estão sendo feitas. No Ao Ponto desta terça-feira, o repórter do Globo Daniel Biasetto fala sobre as buscas aos dois, comenta o enfraquecimento dos órgãos de fiscalização ambiental, fortalecimento de organizações criminosas e crescimento da violência em diversos estados e terras indígenas.

Publicado de segunda a sexta-feira, às 6h, nas principais plataformas de podcast e no site do GLOBO, o Ao Ponto é apresentado pelos jornalistas Carolina Morand e Roberto Maltchik, sempre abordando acontecimentos relevantes da atualidade. O episódio também pode ser ouvido na página de Podcasts do GLOBO. Você pode seguir a gente em plataformas como Spotify, iTunes, Deezer e também na Globoplay.

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