O que se sabe sobre o acidente com carro alegórico em que menina de 11 anos perdeu uma perna

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O acidente com um carro alegórico da escola Em Cima da Hora, na noite desta quarta-feira, que feriu a estudante Raquel Antunes Silva, de 11 anos, deu um tom triste à primeira noite de desfiles da Série Ouro do carnaval 2022 no Sambódromo do Rio. A menina foi operada durante oito horas e precisou amputar uma das pernas. Seu estado é grave. Imagens após o acidente mostram marcas de sangue, carro alegórico arranhado e chinelos que seriam da menina.

O acidente aconteceu por volta das 23h, na hora da dispersão do carro alegórico da Em Cima da Hora, a primeira escola a desfilar, já fora do Sambódromo. Os desfiles da Série Ouro, antigo Grupo de Acesso, foram interrompidos.

— Havia muitas crianças aqui em cima do carro alegórico, quando houve o acidente — disse uma testemunha.

Segundo uma amiga da mãe da menina, Daiane da Costa, de 25 anos, Raquel tinha sentado no carro, que estava parado, para tirar uma foto quando ficou imprensada entre a alegoria e um poste da Rua Frei Caneca, no Estácio.

— A gente estava na pracinha na Rua Frei Caneca. Compramos lanches, e ela ficou brincando com uns coleguinhas. As crianças foram andando no sentido do carro alegórico, e ela sentou para tirar uma foto. Não viram que ela estava sentada e empurraram o carro de frente pra trás, o que imprensou a perna dela no poste. Raquel ficou presa, e, quando puxaram a alegoria, ela caiu — conta Daiane.

A amiga da família acompanhou Raquel na ambulância até o Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio. Ela disse que a menina teve fratura exposta e que a mãe dela, Marcela Portelinha, desmaiou diversas vezes desde o acidente e está traumatizada.

Outra amiga, Aline da Mota, relatou ao G1 que a mãe soube do acidente pelo irmão:

— Ela foi pra outra praça do outro lado, quando a mãe olhou ela não tava. Logo após, foi coisa de 5 minutos, já veio o irmão avisando que ela foi atropelada. O carro alegórico espremeu ela no poste. Ela estava bem encostada pra ver os carros passar — contou.

No momento do acidente, A família estava em uma lanchonete perto da Marquês de Sapucaí. A menina se distanciou para ver os carros alegóricos. Muitas crianças estavam no local do acidente, o que atrapalhou o guincho do carro alegórico. Uma funcionária da Liga-RJ teve que pedir para elas se afastarem para que outro acidente não acontecesse.

Em cima do carro ficaram os dois chinelos arrebentados que seriam da menina. Além disso, a alegoria ficou destruida. Elementos foram quebrados e parte do forro foi arrancada.

Parentes e amigos da criança estiveram no Hospital municipal Souza Aguiar ao longo da madrugada e no início da manhã. A mãe de Raquel passou mal ao ser informada sobre o estado de saúde da filha.

Polícia Civil investiga o acidente. Profissionais do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) fizeram a perícia e apreenderam o tacógrafo, um equipamento que teria aferido a velocidade em que a alegoria estava quando atingiu a criança.

Imagens de câmeras de segurança foram coletadas e estão sendo analisadas pelos técnicos. Nelas, é possível ver a lataria do carro, pintado de branco e azul com amassados e arranhados. Alguns elementos também foram destruídos e arrebentados. Pedaços de panos da própria alegoria foram usados para impedir a aproximação de pessoas no local, onde adultos e crianças tiravam fotos. Durante a madrugada, policiais militares e civis também auxiliaram no isolamento para que peritos do ICCE registrassem os detalhes do acidente.

Em nota, a Prefeitura do Rio informou que "lamenta o acidente ocorrido com a menina Raquel Antunes, de 11 anos, e se solidariza com a sua família. A Secretaria Municipal de Ordem Pública vai acompanhar as investigações da Polícia Civil sobre as causas e os responsáveis por esse acidente".

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), no mês passado, o órgão enviou uma recomendação para os organizadores do desfile que menciona a necessidade de segurança no momento da dispersão dos carros alegóricos.

A escola Em Cima da Hora afirmou que ainda não tem um posicionamento oficial e que ao longo do dia emitirá uma nota sobre o acidente. Segundo a assessoria da escola, "a agremiação está esclarecendo alguns pontos junto à Liga e às autoridades". A escola classificou o acidente como “fatalidade” e disse estar “muito consternado e se solidariza com a família”.

Já as ligas das escolas de samba do Rio de Janeiro informaram em nota conjuta que "estão abaladas e se solidarizam com a familia de Raquel Antunes. A jovem menor subiu no carro alegórico fora do sambódromo, na Rua Frei Caneca, no Estácio após deixar a área de dispersão. Prontamente, em menos de dois minutos, ela foi socorrida e levada ao Hospital Sousa Aguiar, onde foi submetida a cirurgias. Equipes das Ligas e da Escola acompanham o caso na unidade hospitalar ao lado da familia desde o primeiro instante e também colaboram com as autoridades. Nesse momento, é preciso esperar a apuração da perícia e autoridades para novos esclarecimentos".

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