O que se sabe sobre pior naufrágio envolvendo imigrantes no Canal da Mancha

·4 min de leitura
Um grupo de mais de 40 migrantes com crianças embarca em um bote inflável, ao deixar a costa do norte da França para cruzar o Canal da Mancha, perto de Wimereux, França
Número de imigrantes tentando atravessar Canal da Mancha, que separa Grã-Bretanha do norte da França, bateu recorde neste ano

Pelo menos 27 pessoas morreram afogadas depois que um barco com destino ao Reino Unido virou no Canal da Mancha.

É a pior tragédia envolvendo imigrantes já registrada no canal, que separa a ilha da Grã-Bretanha e o norte da França, desde que dados desse tipo começaram a ser coletados, em 2014.

A travessia é considerada perigosa por suas tempestades, frequentes neblinas que reduzem a visibilidade e correntes fortes.

Apesar disso, todos os dias, dezenas de imigrantes se arriscam no trajeto, com o objetivo de chegar ao território britânico.

Inicialmente, o governo francês havia anunciado que 31 pessoas morreram, mas posteriormente revisou o número para baixo.

Dos 27 mortos, havia pelo menos sete mulheres e três crianças.

Ainda não se sabe a nacionalidade dos que morreram, tampouco o que causou a tragédia. Acredita-se, no entanto, que a maioria vinha do Oriente Médio.

A polícia francesa prendeu cinco pessoas suspeitas de ligação com a travessia fatal.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o presidente francês, Emmanuel Macron, concordaram em "fazer todo o possível para impedir as gangues responsáveis"

Mas houve troca de acusações. Johnson cobrou maior esforço da França para impedir a travessia de migrantes, enquanto Macron disse que o Reino Unido precisa parar de politizar a questão.

Apesar das mortes trágicas e do frio extremo, cerca de 40 imigrantes foram resgatados por uma ONG ao tentar chegar ao Reino Unido nesta manhã (25/11) em dois barcos.

O que aconteceu?

Um barco de pesca soou o alarme na tarde de quarta-feira (24/11) após avistar várias pessoas no mar na costa norte da França.

O ministro do Interior francês, Gerald Darmanin, disse inicialmente que 31 imigrantes haviam se afogado.

O número foi posteriormente revisado para 27 — 17 homens, sete mulheres (das quais uma grávida) e três crianças.

Darmanin disse que o barco tinha 34 pessoas a bordo. Duas pessoas foram resgatadas, de nacionalidades somali e iraquiana, e uma pessoa ainda está desaparecida.

Duas pessoas estão em estado crítico no hospital.

Autoridades francesas e britânicas conduziram uma operação de resgate por ar e mar.

Migrantes a bordo de um barco de resgate da Força de Fronteira esperam para desembarcar no porto de Dover
Ainda não se sabe o que causou naufrágio

O que fez o barco afundar?

A causa do acidente permanece desconhecida. Darmanin disse que a embarcação inflável parecia estar seriamente esvaziada.

Ele descreveu o barco longo e inflável que os migrantes usavam como "bote" e "extremamente frágil".

Segundo o ministro francês, "era como uma dessas piscinas infláveis de jardim".

A polícia francesa afirma que o barco partiu da área de Dunquerque, a leste de Calais.

Pescadores da região disseram que o tempo calmo fez com que mais migrantes do que o normal tentassem fazer a travessia na quarta-feira.

Há relatos de que cerca de 25 barcos tentaram a travessia durante o dia.

Cinco supostos traficantes ligados ao incidente foram presos.

Duas pessoas já compareceram ao tribunal e uma investigação sobre homicídio culposo foi aberta pelos promotores, disse Darmanin.

Reação internacional

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) disse que o incidente representou a maior perda de vidas no Canal desde o início da coleta de dados em 2014.

Boris Johnson, disse que estava "chocado, horrorizado e profundamente triste" e prometeu não deixar "pedra sobre pedra" para impedir a ação das gangues de tráfico de pessoas" que estão escapando impunes de assassinatos". Ele presidiu uma reunião de emergência sobre o assunto na noite de quarta-feira.

O presidente Emmanuel Macron disse que não permitiria que o Canal se tornasse um "cemitério" e prometeu descobrir quem foi o responsável.

Seu governo está realizando uma reunião de emergência nesta quinta-feira (25/11).

Johnson e Macron falaram na quarta-feira à noite. Downing Street disse concordar com a importância de atuar em conjunto com as vizinhas Bélgica e Holanda, bem como outros países europeus, para resolver o problema antes que as pessoas cheguem à costa francesa.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, disse que o incidente foi uma "tragédia" e que os que morreram foram vítimas de "contrabandistas criminosos".

Em declarações à BBC News, o responsável pelos portos de Calais e Boulogne, Jean-Marc Puissesseau, disse: "Mesmo que o mar não pareça tão agitado, no meio (do Canal da Mancha) há sempre muitas ondas. É perigoso."

Segundo Macron, desde o início de 2021, 1.552 criminosos foram presos no norte da França e 44 redes de contrabandistas foram desmanteladas.

Apesar disso, 47 mil tentativas de travessia do Canal da Mancha da França para o Reino Unido ocorreram apenas neste ano e 7,8 mil imigrantes foram resgatados, acrescentou o presidente francês.

O Reino Unido se comprometeu a pagar à França 62,7 milhões de euros (R$ 400 milhões) durante 2021-22 para ajudar a aumentar o patrulhamento policial ao longo de sua costa, a vigilância aérea e a infraestrutura de segurança nos portos.

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